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Diante de tantos casos de homofobia em bares da Capital, aonde ir sem medo de ser feliz?

Em uma rápida consulta aos amigos, pudemos elencar pouquíssimas opções

Clayton Neves Publicado em 14/10/2015, às 18h00

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Em uma rápida consulta aos amigos, pudemos elencar pouquíssimas opções

Augusto tinha 19 anos e acabara de começar seu primeiro namoro. Em um dia de festa da “firma”, decidiu ir a uma boate com os amigos do então namorado. Conhecia a fama do local, mas não levou a sério a “lenda urbana” de que por lá expulsavam casais gays. Foi.

A gente nunca acha que isso realmente vai acontecer, sabe?Parece folclore e lenda quando você ouve falar, de tão absurdo que me soa essa situação. Enfim, estávamos lá em cima, no camarote, beijando. Com a gente estava só os amigos do meu ex.

De repente um segurança chegou e pediu para a gente parar. Nisso, imediatamente nós dois protestamos que ele não podia proibir que a gente beijasse. Eu era bem jovem, tinha acabado de me mudar para a cidade grande, sempre morei no interior. Então, imagina, pra mim cidade grande era sinônimo de liberdade. Então eu não conseguia aceitar que até aqui minha vida ia continuar sendo podada, limitada, sabe?

Depois de muito protesto do casal, veio a confirmação de que a postura estava longe de ser um equívoco e era realmente o procedimento da boate. Em instantes o gerente do local apareceu para contornar a situação e exigiu que os dois deixassem o recinto.

Ele começou a nos xingar, dizer que não ia admitir que “aquilo” acontecesse na casa noturna dele. Eu continuei gritando que era um absurdo, e ele veio para cima de mim, me empurrou. Mas o segurança o segurou. Vendo que a situação tinha saído de controle, eu aceitei ser “encaminhado” pelo segurança para fora da boate.

Eu lembro que a sensação que me deu foi de impotência, revolta e tristeza. De me sentir inferior as outras pessoas. Eu me sentia como um coitado, alguém inferior mesmo, um ser humano menor, sabe?

O fato acima narrado por Augusto aconteceu em 2010 e a boate em questão é o antigo Cabaret de la Musique, que hoje já não existe. Mas caberia a muitos outros personagens das demonstrações tacanhas de homofobia e intolerância que rondam o dia e também a noite de muita gente.

Neste sábado (10), mais um caso de homofobia trouxe à tona o problema que precisa, sim, ser discutido. Em um bar, dito underground, de Campo Grande, outro casal foi vítima dos preconceituosos. Eles teriam sido empurrados aos apelos de “vamos maneirar, né?” enquanto trocavam beijos. No caso, a represália à manifestação de amor teria partido de um cliente. Mas e a casa, como agiu? Como elas costumam proceder diante desses casos, que é sempre bom lembrar, são crime e não questão de “não sou obrigado a ver isso”.

E é só tocar no assunto para que centenas de relatos apareçam, um mais inacreditável que o outro. Como quem se cansa, por medo ou por vergonha, de desafiar as proibições silenciosas e veladas desses ambientes onde, na teoria, todos são bem-vindos… gays, lésbicas e transexuais se restringem aos círculos em que são maioria ou totalidade.

“Só me sinto 100% seguro de que não vai aparecer nenhum homofóbico doido nas boates gays, mesmo. Agora em bares, são poucos. Mas fico de boa no Bar da Tia perto da UFMS. Ouvi uma história que ela já até defendeu a galera uma vez que um cara apareceu lá xingando umas pessoas que estavam se beijando”, conta Leandro, tentando resgatar da memória os poucos locais em que se sente a vontade para flertar, beijar e dançar, aquilo que se faz nestes locais.

O Bar da Tia, a que se refere Leandro, é conhecido também como Aruanda e fica perto da UFMS, ao lado do Escobar e do Batata +, que aliás também possuem boa fama, quando o assunto é tolerância – veja bem. Estamos a elogiar que faz o mínimo.

Em uma rápida consulta aos amigos, pudemos elencar pouquíssimas opções de bares e boates que recebem respeitosamente os casais gays. E aí vão eles:

Aguena

Um dos favoritos dos nossos “consultores”, já foi frequentado por vários públicos, mas tem se fixado como destino de quem não quer olhares atravessados sobre o carinho alheio. O Aguena fica na Rua Aquidauana s/n, em frente a Praça Aquidauana

Velfarre

Além de oferecer cerveja mais barata que a média dos outros bares, o Velfarre ganha alguns pontos com os consultores por receber bem casais homoafetivos. O endereço é na Rua José Antônio Pereira, 1002, no Centro.

Hangar

Localizado na Rua Trindade, 113, bem no Inicio da Rua Rui Barbosa, o Hangar também foi uma das casas citadas como receptivas ao público LGBT.

Bar Fly

Voltada para os amantes do metal e rock, a direção da casa faz questão de afirmar. “Mosso espaço e para todos e não temos preconceito. Todos são livres para amar e beijar quem quiserem”. De acordo com a assessoria do bar, os seguranças do local são instruídos para respeitar as difereças. O bar Fly fica na Rua Pajuçara, 201, no Bairro Chácara Cachoeira.

Bar Mercearia

Ponto de encontro para quem deseja fazer uma social entre amigou ou tomar uma cerveja gelada no fim do expediente, o bar é conhecido por também receber todos os clientes de forma igualitária. O Mercearia fica na Rua 15 de Novembro, 1064, Centro.

Conveniência Bar Escobar – Rua Montese, 264, Vila Olinda.

Batata – Rua Trindade, no início da Rua Rui Barbosa, Próximo a UFMS

Aruanda – Rua Trindade, no início da Rua Rui Barbosa, Próximo a UFMS

Boates gays

Non Stop Club – Rua Pimenta Bueno, 127, Bairro Amambaí.

Daza Club – Rua Marechal Rondon, 2181, Centro.

Feat Club – Avenida Calógeras, 3302

*Os nomes utilizados na matéria são fictícios, para preservar a identidade dos entrevistados.  

Jornal Midiamax