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Com sonho de ser pedagoga, transexual quebra tabu e encara o Enem

Para atingir o sonho da carreira universitária, a cozinheira se divide em dez

Clayton Neves Publicado em 08/10/2015, às 09h40

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Para atingir o sonho da carreira universitária, a cozinheira se divide em dez

Bem distante dos esteriótipos atribuídos à maioria das travestis e transsexuais, a rotina de Paula Ribeiro, 36 anos, é como a da maioria das pessoas. Logo depois de o dia amanhecer, lá por volta das 6 horas, a corumbaense que reside em Três Lagoas toma um rápido café e vai para a casa da família onde é cozinheira. “ E das boas”, avisa. Nos fins de semana, faz bolos sob encomendas para garantir um dinheiro extra e levar alegria à seus clientes.

Com o sonho de ser pedagoga, Paulinha, apelido como carinhosamente é chamada por amigos, é uma das transexuais de Mato Grosso do Sul que vão participar da edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano. “Vou participar porque quero fazer uma faculdade. Quero trabalhar com crianças”, conta.

E para atingir o sonho da carreira universitária, a cozinheira se divide em dez. Corre daqui, se ajeita de lá, e entre as idas à igreja, os cuidados com a casa, marido e as responsabilidades com o emprego, sempre arruma um minutinho para se preparar para as provas. De acordo com ela, o incentivo para os estudos, vem de cinco amigos que trabalham com ela em uma ONG que ela coordena em Três Lagoas.

Cumpridora dos seus deveres sociais, Paula faz questão de reivindicar aquilo que é dela por direito, além disso, luta para que o modelo discriminatório de vida imposto por muitos às travestis seja quebrado.

“As travestis devem ser tratadas com igualdade e a sociedade tem que aceitar isso. Temos o direito de buscar conhecimento e crescimento profissional, afinal, nossa realidade não tem que se basear apenas em uma esquina de prostituição”, afirma.

Neste ano, 278 transexuais se inscreveram no Enem e solicitaram o uso do nome social. Embora pareça um número pequeno, as inscrições são consideradas uma vitória, pois representam um aumento de 172% em comparação a 2014. Em Mato Grosso do Sul, quatro solicitaram o uso do nome social, porém, o número pode ser maior, levando em consideração casos como o de Paula Ribeiro, que é transexual e já teve a alteração do nome em seus documentos.  

Jornal Midiamax