Geral

Venezuela aprova importação de 1,7 bi em alimentos do Brasil

O ministro da Alimentação da Venezuela, Félix Osorio, anunciou a aprovação de US$ 1,765 bilhão para importar do Brasil 429 mil toneladas de alimentos como carne, frango, leite em pó e margarina. A medida, anunciada em coletiva de imprensa na sexta-feira (21/03), também envolverá outros países, na tentativa de melhorar o abastecimento do país. Ao […]

Arquivo Publicado em 22/03/2014, às 17h12

None

O ministro da Alimentação da Venezuela, Félix Osorio, anunciou a aprovação de US$ 1,765 bilhão para importar do Brasil 429 mil toneladas de alimentos como carne, frango, leite em pó e margarina. A medida, anunciada em coletiva de imprensa na sexta-feira (21/03), também envolverá outros países, na tentativa de melhorar o abastecimento do país. Ao todo, o governo Nicolás Maduro prevê que 2,3 milhões de toneladas de alimentos cheguem à Venezuela durante o ano.


Félix Osorio anunciou também a aprovação de recursos para a compra de alimentos de outros países do continente. Num esforço de “sobreabastecimento” previsto para quatro meses, o governo vai injetar US$ 715 milhões para a importar da Argentina 844 mil toneladas de produtos como leite em pó, arroz, milho branco e amarelo, derivados da soja, margarina e atum.


De acordo com o ministro, o esforço para importar produtos que costumam faltar nas prateleiras dos mercados locais é necessário para “atender a conjuntura” da “guerra econômica”, que, segundo o governo, é promovida pela oposição e setores do empresariado.


Em janeiro, o índice de desabastecimento chegou a 28%, segundo dados do Banco Central da Venezuela. Para tentar impedir compras constantes para a revenda e contrabando de produtos básicos nos pontos estatais de vendas de alimentos — em alguns dos quais há subsídios que superam os 80% —, o ministro anunciou que um sistema de registro de consumidores, não obrigatório, funcionará a partir de abril para garantir o abastecimento.

Cooperação com calçados e farmacêuticas


Na noite de ontem, empresários do setor farmacêutico e de calçados assinaram acordos de entendimento e cooperação, na sede presidencial, para comercialização a “preços justos”. Estiveram presentes no ato representantes de marcas como Converse, Oakley, Nike, Volpe, Fila e Adidas, e de redes de farmácias do país. Para Maduro, a nova lei que fixa um lucro máximo de 30% para todos os atores da cadeia de comercialização deve superar a especulação.


A normativa é criticada por empresários, que, por sua vez, se queixam da dificuldade de acesso a dólares para a importação de bens e insumos para a produção. A expectativa é que o novo mecanismo de compra de dólares denominado Sicad 2 (Sistema Complementar de Administração de Divisas) ajude a atender a demanda. Às vésperas de sua implementação, anunciada para a próxima segunda-feira (24/03), o valor da moeda norte-americana no mercado paralelo vem diminuindo.


O acesso a divisas para pagamento de compromissos com fornecedores internacionais foi assunto discutido em mesas de trabalho entre o governo e o setor privado. As reuniões foram consequência da Conferência de Paz iniciada para solucionar a crise no país, que vive uma onda de protestos contra o governo há mais de um mês, deixando 31 mortos e centenas de feridos.


Na noite de ontem, Maduro afirmou que os protestos geraram perdas materiais da ordem de 10 bilhões de dólares. Apesar da difícil conjuntura, a taxa de desemprego na Venezuela se situou em 7,2% em fevereiro, mostrando uma leve queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando registrava 7,6%, e de 2012, quando chegava a 9,2%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do país.

Jornal Midiamax