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Vencedoras na arte de conciliar várias tarefas com sucesso dizem que ‘papel da mulher é ir à luta’

As mulheres como ninguém sabem que acumular tarefas e dar conta do recado não é nada fácil. Trabalhar, levar o filho à escola, ajudar a fazer as tarefas, buscar na aula de reforço, arrumar a casa, preparar o jantar, ir à academia, ao supermercado, ao salão de beleza… São infinitas as tarefas no dia a […]

Arquivo Publicado em 08/03/2014, às 10h00

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As mulheres como ninguém sabem que acumular tarefas e dar conta do recado não é nada fácil. Trabalhar, levar o filho à escola, ajudar a fazer as tarefas, buscar na aula de reforço, arrumar a casa, preparar o jantar, ir à academia, ao supermercado, ao salão de beleza… São infinitas as tarefas no dia a dia de uma mulher. Mas, incrivelmente, a maioria delas consegue realizar todas, e com maestria.

A servente Jovélia Simões da Mata, de 28 anos, é uma dessas guerreiras. Apesar de trabalhar muito o dia todo em um canteiro de obras da Capital, ainda encontra tempo para limpar a casa, preparar o jantar do filho pequeno e do marido, antes da merecida hora de descanso.

Ela revela que adora o que faz e que deixou de trabalhar em casas de família, como diarista, porque no trabalho de servente, considerado ‘coisa de homem’, é uma oportunidade de trabalhar de forma mais solta. “Aqui tenho minha função. Chego, faço o que tenho de fazer e ninguém me incomoda. Em casa de família tenho que agradar a patroa, o marido da patroa e os filhos”, lembra aos risos. “Agora não. Chego, faço meu trabalho e vou embora”, emenda.

Quem também gosta do trabalho é a colega Andrea Fabiana Xavier, de 32 anos. Há 8 meses na profissão ela conta que voltou há um ano e meio da Europa e não sabia o que fazer. “Sempre trabalhei no comércio. Mas lá tenho que me preocupar com roupa, unha, sapato. Aqui não. Acho que sou mais bruta”, justifica.

O trabalho pesado é orgulho dos filhos. Ela conta que sai cedo para trabalhar e que os filhos se sentem envaidecidos em ver o quanto a mãe é trabalhadora. “Eles têm orgulho”, relata.

Quem também teve muito jogo de cintura e até hoje tem é a empresária Anita Burille, de 52 anos. Formada em pedagogia e letras e pós-graduada em metodologia científica, Anita se encontrou à frente da empresa D’Italia, que fabrica forros de PVC.

Mãe de dois filhos, Pedro e Ane, ela conta que apesar de a empresa ser familiar, ela que está na direção. “Comecei junto com meu marido. Depois ele foi fazer outros negócios e a empresa ficou em meu nome. Ele tem outros negócios. A empresa foi crescendo e fomos segmentando em família. Hoje trabalhamos eu, meu marido e minha filha”, conta.

Ela explica que o grande sucesso do negócio é que cada um tem seu papel definido e respeita o limite do outro.

Comandando 20 homens, a descendente de italianos diz que se sente como uma matrona. “Vou cedo à produção, vejo se tudo está organizado. Eles sabem que estou ali para apoiá-los”, diz.

Rotariana, ela diz que organiza muito bem as atividades, porque além da empresa e da família, o trabalho social é outra prioridade em sua vida.

Diretora da indústria têxtil Agosto, Idalina Zanolli, de 55 anos, conta que sempre viu o acúmulo de tarefas como algo normal, e que isso nunca foi empecilho para nada. “É a lei da natureza. A gente precisa vencer e vencer. Não encontro dificuldade nenhuma em administrar, guerrear e vencer. Acho que na verdade, nós mulheres temos alguns privilégios. Conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo”, pondera.

Da mesma opinião, a advogada e professora universitária Tatiana Ujacow, de 45 anos, revela que a sabedoria da mulher está exatamente em conseguir conciliar várias atividades e ter a sensibilidade em realizar todas com equilíbrio.

Ela revela que para chegar à docência na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) teve de passar por várias etapas em sua vida, mas não negligenciou a função de mãe, mulher por causa da carreira. “Eu conseguia o meio-termo nos horários que minhas filhas estavam na escola.

Quando elas começaram a estudar voltei a estudar também. Fui fazer faculdade. Não deixei de me dedicar à educação delas. E assim fui fazendo a minha faculdade, o mestrado. Dando exemplo. Para que elas percebessem desde cedo que o papel da mulher é ir à luta, e com isso a gente se desdobra”, pontua.

Ujacow lembra que antes de dar aula advogou por muito tempo e o despertar da docência se deu após um convite para lecionar na época do mestrado. “Desde menina a minha mãe me contava que eu gostava de colocar as bonecas sentadas e brincava de professora. Não imagina, na verdade, dar aula na vida adulta. A vocação da infância aflorou quando entrei no mestrado”, recorda.

Para ela, toda mulher é meio professora. Já que a função de educar os filhos ainda é muito cobrada delas. “A possibilidade de semear ideias. A mudança que a informação transforma. As pessoas se sensibilizando. Essa troca faz muito bem. O professor aprende muito. Pode perceber o crescimento do aluno. A mulher é uma educadora por excelência. Somos mais cobradas desde criança. Começa pelos filhos e os alunos são os filhos que a gente ganha pela vida”, finaliza.

Jornal Midiamax