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Usuários do transporte coletivo sofrem com as condições precárias dos pontos de ônibus

Pontos sem cobertura e cercados de mato são recorrentes na periferia; Agetran admite priorizar manutenção de pontos do centro.

Arquivo Publicado em 08/01/2014, às 18h05

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Pontos sem cobertura e cercados de mato são recorrentes na periferia; Agetran admite priorizar manutenção de pontos do centro.

Dentre os diversos problemas do transporte coletivo campo-grandense estão os pontos de ônibus. Antes de se indignar com os atrasos, o preço ou com a falta de conforto, o campo-grandense sofre com as condições precárias de diversos pontos de embarque, especialmente em bairros da periferia.

Pior que esperar é esperar em pé, debaixo de sol, rodeado de matagais ou sem ter onde sentar. Morador das Moreninhas, seu Leonardo Arachin tem 97 anos e pega ônibus em ponto sem cobertura e assento há anos. “A prefeitura pouco se interessa com a gente dos bairros mais afastados”, critica.

O ponto, que vem do centro para o bairro é sinalizado por um poste. Exatamente em frente dele há outro ponto, que vai sentido bairro/centro, com assento e cobertura. Acostumado com o descaso, seu Leonardo até brinca com a situação. “Tenho que vir de boné para não queimar a cabeça”.

Falta de manutenção

No bairro Los Angeles, em ponto onde há assento e cobertura, o problema é outro. Em meio a terreno abandonado, o ponto é cercado por mato alto e muita sujeira. “É sujo e perigoso, esses dias uma menina foi assaltada”, conta a dona de casa Maria Elza, de 40 anos.

No Dom Antônio Barbosa, beira o ridículo. A cobertura de ponto na Rua Evelina Selingardi caiu há  dois dias. “Até achei que não tinha mais o ponto”, disse Daiana Aparecida Silva, de 24 anos, recreadora que esperava o ônibus.

Daiana teve de ficar do outro lado da rua. “Não dá para ficar lá. E não é só este não. Tem ponto ruim em tudo quanto é lugar. Ou falta cobertura, ou nem banco tem, é complicado”, analisa a recreadora.

O mineiro Giovani Barbosa Dourado, 26, veio a Campo Grande para treinamento do trabalho. O técnico de esquadrilha esperava ônibus na Rua Portuguesa, Vila Maciel, atrás de entrada para a Universidade Federal, perto do presídio feminino e do estádio Morenão.

De tanto mato em volta, quase não dava para ver a escada em que Giovani estava sentado. “Não pode ser assim”, frisou. Perguntado se era possível comparar o transporte coletivo de Belo Horizonte com o de Campo Grande, Giovani riu.

Mesmo há um dia na Capital, ele já ouviu reclamações do transporte coletivo. “O pessoal do trabalho reclamou muito, dizem que é bem ruim”, conta.

Responsabilidade é da Agetran

De acordo com a assessoria da prefeitura, a responsabilidade pela instalação, manutenção e transferência de pontos é da Agetran. Dos 3.490 pontos, 1.864 têm cobertura e 1.626 têm apenas o poste de identificação, segundo dados da Agetran.

Prioridade

O diretor de transportes da Agetran, Lúcio Maciel, declarou que há núcleo específico que cuida frequentemente da manutenção dos pontos. “A prioridade na substituição por pontos mais modernos são locais de grande aglomeração, como o centro”, explicou.

Lúcio prometeu que a cobertura caída no Dom Antônio será retirada até amanhã de manhã. “Os outros pontos que apresentam problemas, dependendo da situação não cabem à Agetran, no caso dos imóveis particulares que ficam em frente dos pontos, e sim à Seintrha, que notifica o proprietário para que faça a limpeza. Já a Agetran fica responsável pela área pública onde está instalada a parada”, informou.

“Números não batem”

Pesquisa feita no fim de 2012 pela G2i-Gestão Inteligente de Informação revela que a maioria dos pontos fora da região central de Campo Grande não tem abrigo. A pesquisa mapeou todos os pontos da cidade e constatou que no centro 60% dos locais têm cobertura. Na periferia, 80% não têm.

“Pesquisamos todas as linhas de ônibus e fomos de ponto em ponto para fazer o mapeamento desses lugares”, revela Rodrigo Silveira Dutra, proprietário da empresa responsável pela pesquisa.

Lúcio discordou dos números da pesquisa. “Os números desta pesquisa não batem com os nossos. O GPS deles pegava o mesmo ponto duas vezes, por isto deu este número alto”, disse o diretor da Agetran. (Matéria alterada às 16h20 para acréscimo de informações)

Jornal Midiamax