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Transexual faz história na “pior seleção do mundo” e estrela documentário

O documentário Next Goal Wins (algo como “Próxima Meta: Vitórias”) estreia nesta semana no Reino Unido com a história da seleção da Samoa Americana, considerada até 2011 como a pior do mundo, então última colocada no ranking da Fifa, sem nenhum ponto. Johnny Saelua, o primeiro zagueiro transexual a participar de um jogo de eliminatórias […]

Arquivo Publicado em 03/05/2014, às 15h27

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O documentário Next Goal Wins (algo como “Próxima Meta: Vitórias”) estreia nesta semana no Reino Unido com a história da seleção da Samoa Americana, considerada até 2011 como a pior do mundo, então última colocada no ranking da Fifa, sem nenhum ponto. Johnny Saelua, o primeiro zagueiro transexual a participar de um jogo de eliminatórias da Copa do Mundo, é o destaque do filme.


A produção mostra como Saelua driblou o machismo e o preconceito no futebol para fazer parte da seleção da Samoa Americana. O zagueiro faz parte de uma minoria sexual chamada de “Fa’afafine”, considerada como um terceiro gênero no país. As pessoas dessa minoria são homens educados para se vestir e agir como mulheres.


Com Saelua em campo, a Samoa Americana conseguiu a primeira vitória de sua história em 2011, ao bater a seleção de Tonga por 2 a 1. O primeiro gol do país em uma partida oficial havia sido marcado apenas alguns meses antes, na derrota por 12 a 1 para as Ilhas Salomão.


A seleção de Samoa Americana ficou conhecida mundialmente em 2001. Na ocasião, o país enfrentou a Austrália, que naquela época ainda disputava as eliminatórias da Oceania, e tomou uma goleada história por 31 a 0, um recorde histórico e negativo nos registros do futebol.


A historia do documentário mostra a chegada de Thomas Rongen, um holandês enviado para a Samoa Americana pela federação de futebol dos Estados Unidos como um solucionador de problemas.


A trajetória de Rongen também trazia uma particularidade. O treinador encarava a missão longe de casa como uma chance de superar a perda de uma filha de 18 anos, morta em um acidente de carro.


De início, Rongen estranhou a presença de Saelua. “Quando eu a vi pela primeira vez, cutuquei cinicamente a minha esposa, e disse de maneira sarcástica: ‘deve ser a massagista'”, afirmou o treinador em entrevista ao jornal inglês The Telegraph. “Quando ela disse que era zagueiro do time, eu engoli meio seco, mas não disse nada”.


O documentário revela como Rongen e Saelua passaram a formar uma parceria de sucesso na equipe. “O que mudou minha mente é o jeito com o qual ela se dedicou em todos os dias de treinamentos. Ela tem uma profunda compreensão de posicionamento, que é o que você quer de um zagueiro”, afirmou o treinador.


Saelua recebeu até mesmo uma carta com os parabéns do presidente da Fifa, Joseph Blatter, por sua história no futebol. Uma história que roubou a cena do que era para ser um documentário apenas sobre a pior seleção do mundo.

Jornal Midiamax

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