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‘Sumiço’ de Cristina sugere novo estilo e divide argentinos

A presidente Cristina Kirchner retornou à Casa Rosada, a sede da Presidência, na última segunda-feira, após passar quase um mês sem falar à nação e 19 dias de isolamento em sua casa particular em El Calafate, na Patagônia, extremo sul do país. O sumiço da presidente, que gerou críticas da oposição e de seus críticos, […]

Arquivo Publicado em 09/01/2014, às 11h37

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A presidente Cristina Kirchner retornou à Casa Rosada, a sede da Presidência, na última segunda-feira, após passar quase um mês sem falar à nação e 19 dias de isolamento em sua casa particular em El Calafate, na Patagônia, extremo sul do país.


O sumiço da presidente, que gerou críticas da oposição e de seus críticos, dividiu a opinião dos argentinos e sugere um novo estilo, segundo analistas ouvidos pela reportagem.


A presidente era vista em cerimônias quase diárias, transmitidas ao vivo por diferentes emissoras, e em discursos em redes nacionais de televisão, mas sem permitir perguntas da imprensa.


Cristina também era forte adepta das redes sociais, preferindo emitir anúncios e opiniões em sua conta no Twitter. Ela tem mais de 2,5 milhões seguidores na rede social, mas até o meio desta semana seu último tuíte era de 13 de dezembro do ano passado.


Para analistas e populares, um dos principais fatores que levaram a esta mudança de comportamento é a derrota do candidato do governo na maior província do país (Buenos Aires), na eleição de outubro.


Além disso, logo após o pleito, ela foi submetida a uma cirurgia para a retirada de um hematoma no crânio e passou 47 dias de repouso – fato que contribuiu para os rumores na virada do ano.


Ausência


O analista político Roberto Bacman, do instituto CEOP, que apoiou o governo em eleições anteriores, disse estar “surpreso” com o que chamou de “novo estilo” da presidente.


“Os Kirchner, Néstor (morto em 2010) e ela, nunca tiraram férias longas. Por isso agora essa atitude dela chamou atenção. Não é que o país esteja sem governo, mas ela esteve ausente, mesmo quando ocorreram fatos fortes como a greve dos policiais, os saques e mortes e durante a onda de calor recorde que afetou a energia elétrica”, disse Bacman.


Para o analista, também “causou surpresa” o fato de a presidente ter colocado um chefe de gabinete “tão presente” e com “aparições diárias”.


O governador de Chaco, Jorge Capitanich, nomeado por Cristina para o cargo, fala diariamente com os jornalistas na Casa Rosada, o que antes não ocorria.


Ele se tornou chefe de gabinete na reforma ministerial promovida pela presidente após a eleição legislativa do ano passado.


“A presidente o empossou, ele passou a cumprir o papel de virtual primeiro-ministro e ela tirou férias. Não acho que a oposição tenha razão ao dizer que existe vazio de poder, porque ela governa, mas surgiram esses fatos novos”, disse Bacman.


O analista econômico Orlando Ferreres disse que existe uma “estética da ausência e ninguém sabe porque existe”. Segundo ele, esse silêncio da presidente “abre espaço para as especulações e afeta planos de investimentos e pode influenciar o crescimento econômico e a geração de empregos”.


Divisão


Para Bacman, a questão dividiu a população argentina; alguns acham que “ela é humana e merece férias”, outros, que não a apoiam, que “existe algo estranho por trás da ausência”.


Nas ruas de Buenos Aires na quarta-feira, os eleitores pareciam reforçar essa opinião. “Dizem que ela pode renunciar. Será verdade?”, perguntou Alejandra, professora de inglês, que preferiu não ter o sobrenome divulgado.


“Acho que ela resolveu tirar longas férias depois da derrota do ano passado. E sinceramente pra mim não faz a menor diferença. Estávamos já cansados. Agora, é acostumar e esperar a eleição de 2015”, disse a contadora aposentada Mariel Muñoz, de 63 anos.


Uma funcionária pública que se identificou apenas como Gimena, de 35 anos, disse que votou na presidente na primeira eleição e na reeleição e entende que “ela precisava de descanso”.


“Acho que ela fez e faz muitas coisas boas para o país, mas ficou sentida com o resultado das urnas. Acho que os que não votaram nela queriam um tempo da sua presença e ela entendeu isso e resolveu colocar um chefe de Gabinete (Casa Civil) para falar a nação. Mas quem governa é ela”, disse.

Jornal Midiamax