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Sociólogo: mesmo proibido, “rolezinho” surtiu efeito e chamou atenção para problema

O sociólogo Paulo Cabral comentou a decisão da Justiça de proibir o “rolezinho” que aconteceria domingo (26) no Shopping Campo Grande, na Avenida Afonso Pena. O movimento que ganhou fama em todo o país foi marcado pelas redes sociais e já contava com mais de mil confirmados. “Não me surpreendo com a decisão da Justiça. […]

Arquivo Publicado em 24/01/2014, às 14h58

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O sociólogo Paulo Cabral comentou a decisão da Justiça de proibir o “rolezinho” que aconteceria domingo (26) no Shopping Campo Grande, na Avenida Afonso Pena. O movimento que ganhou fama em todo o país foi marcado pelas redes sociais e já contava com mais de mil confirmados. “Não me surpreendo com a decisão da Justiça. É compatível com o viés conservador dela”, declarou Paulo.

Para o sociólogo, mesmo sem acontecer, o “rolezinho” em Campo Grande surtiu efeito. “Ainda que não ocorra, o que precisava já aconteceu. A questão foi colocada em debate, o “rolezinho” pautou a semana. Ele já rolou, chamando a atenção para o problema”, disse.

Em entrevista ao Midiamax no dia 15, Paulo havia alertado sobre o recado que os jovens do “rolezinho” querem dar. “Eles querem dizer que, embora invisíveis, escondidos na periferia, nós existimos, estamos aqui. Ó nóis aqui”.

O problema citado pelo sociólogo se refere ao que é oferecido aos jovens da periferia.“O que é destinado para esta juventude? O que propomos aos jovens pobres, da periferia? O que o governo e a sociedade podem fazer? Falhamos em algum momento lá atrás, senão eles estariam fazendo algo mais interessante, não precisariam fazer o “rolezinho”, destaca.

“O fenômeno do “rolezinho” opera sob tudo no imaginário. Imagens preconceituosas emergem na cabeça das pessoas e elas ficam com medo do “rolezinho”. Mas causou uma repercussão grande, surtiu efeito”, afirmou Paulo.

Multa

Segundo a liminar concedida pela Justiça, está proibido realizar tumulto, correria, algazarra, atos de vandalismo, uso de equipamentos de som em volume excessivo dentro ou no estacionamento do local. Serão disponibilizados, no mínimo, dez analistas judiciários e oficiais de Justiça para o cumprimento da liminar no domingo, a pedido do juiz.

Caso descumpram a decisão, as pessoas flagradas pagarão multa de R$ 1 mil. O shopping poderá afixar a decisão pelo prédio para que ninguém alegue desconhecimento. O juiz também pede que o Comando-Geral mantenha o esquema de segurança para resguardar que a lei seja cumprida.

Jornal Midiamax