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Santos usa cotas da Globo como garantia para pagar Damião

O Santos vai dar parte do dinheiro que tem a receber da Globo pela transmissão de seus jogos como garantia de pagamento aos investidores que ajudaram a trazer Leandro Damião. Segundo a assessoria de imprensa santista, “o clube está em processo de obtenção dessa garantia”. A empresa Doyen Sports, representada no Brasil pelo empresário Renato […]

Arquivo Publicado em 27/02/2014, às 14h31

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O Santos vai dar parte do dinheiro que tem a receber da Globo pela transmissão de seus jogos como garantia de pagamento aos investidores que ajudaram a trazer Leandro Damião. Segundo a assessoria de imprensa santista, “o clube está em processo de obtenção dessa garantia”.


A empresa Doyen Sports, representada no Brasil pelo empresário Renato Duprat, emprestou os 13 milhões de euros (R$ 41,6 milhões) usados pelo Santos e deu três anos para a dívida ser quitada. Ela cobra 10% ao ano de juros e exigiu uma garantia do clube de que o débito será pago. Por isso a garantia precisa ser equivalente a aproximadamente 17 milhões de euros (R$ 54,4 milhões). Para se ter uma ideia, nos nove primeiros meses de 2013 o Santos recebeu 41,2 milhões referentes aos contratos com a Globo.


Esse dinheiro só será depositado pela emissora para a parceira do alvinegro se o jogador não for vendido nos três primeiros de seus cinco anos de contrato. Indagada pela reportagem sobre a possibilidade de o clube arcar com esse gasto, a assessoria de imprensa santista respondeu: “Confiamos no potencial do jogador, acreditamos que teremos com ele um grande ganho esportivo e, consequentemente, haverá com isso uma valorização do atleta aqui no clube, o que poderá no futuro gerar muitas oportunidades para ele e para o clube.”


Os detalhes da negociação foram revelados aos conselheiros que puderam examinar o contrato antes da reunião do Conselho Deliberativo na última terça. A descoberta sobre como funciona a operação gerou críticas de integrantes de várias alas políticas à diretoria.


Eles afirmam que os juros são altos e que o clube não colocou uma cláusula no contrato que proteja o Santos de um eventual aumento da cotação do euro. Existe insatisfação porque, se o atleta for vendido, o Santos só terá direito a 20% do lucro. O restante ficará com a empresa.


Segundo a assessoria de imprensa, não há no acordo com a Doyen cláusula que obrigue o Santos a vender o atacante por um determinado valor. O clube só se desfaz dele se quiser.


A reportagem apurou que membros do Comitê de Gestão santista consideram a taxa de juros de 10% ao ano baixa. Os dirigentes também avaliam que compraram Damião em baixa e que por isso têm boas chances de vender o jogador por um valor superior aos 13 milhões de euros.

Jornal Midiamax