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Reino Unido classifica referendo de “zombaria”; Berlim promete “resposta clara”

O Reino Unido rejeitou o referendo de adesão à Rússia realizado neste domingo (16) na Crimeia e o considerou uma “zombaria” à democracia, afirmou o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague. Em declarações aos meios de comunicação britânicos em Bruxelas, onde se reunirá nesta segunda-feira 917) com colegas da União Europeia (UE), Hague reiterou […]

Arquivo Publicado em 16/03/2014, às 20h51

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O Reino Unido rejeitou o referendo de adesão à Rússia realizado neste domingo (16) na Crimeia e o considerou uma “zombaria” à democracia, afirmou o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague.


Em declarações aos meios de comunicação britânicos em Bruxelas, onde se reunirá nesta segunda-feira 917) com colegas da União Europeia (UE), Hague reiterou que a Rússia deve enfrentar “consequências econômicas e políticas” pela violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia.


A expectativa é que os ministros das Relações Exteriores da UE estudem sanções contra a Rússia, como o congelamento de ativos e a proibição de viagens de funcionários russos, depois que Moscou ignorou os pedidos do Ocidente para que não apoiasse o referendo.


O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, afirmou a UE dará uma “clara resposta” ao referendo e advertiu que a situação criada é “altamente perigosa”.


“A Europa dará uma resposta clara ao referendo da Crimeia”, assegurou Steinmeier, em declarações antecipadas hoje pelo site do jornal “Bild”.


“O referendo aconteceu com dez dias de aviso, sem uma campanha adequada ou um debate público e na presença de milhares de tropas de um país estrangeiro. É uma zombaria ao correto exercício democrático”, afirmou o chefe da diplomacia britânica.


“O Reino Unido não reconhece o referendo ou seu resultado, da mesma forma que a maioria na comunidade internacional”, acrescentou.


Hague ressaltou que qualquer tentativa da Rússia de utilizar o referendo como desculpa para anexar a Crimeia, ou tomar mais medidas no território ucraniano, “seria inaceitável”.


“Peço à Rússia que entre em diálogo com a Ucrânia e com a comunidade internacional para resolver esta crise através da democracia e em virtude do direito internacional” e evite piorar a situação com medidas “unilaterais e provocadoras”, salientou.

Incorporação


Segundo pesquisas de boca de urna, 93% dos eleitores na Crimeia votaram neste domingo no referendo em favor da anexação à Rússia.


Por isso, o Parlamento da Crimeia pedirá nesta segunda-feira em uma sessão extraordinária ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, a incorporação à Federação Russa, segundo anunciou o primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Axionov.


A Crimeia, que abriga a frota russa no mar Negro, foi parte da Rússia até 1954, quando o então dirigente soviético Nikita Kruschev passou seu controle à Ucrânia.


Após a queda do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, em fevereiro, as populações das regiões sul e leste do país foram às ruas para protestar contra o que consideraram um golpe de Estado. A Rússia, aliada de Yanukovich e com interesses na região, apoia esse movimento.


A península da Crimeia, de maioria étnica e língua russas e atualmente com um regime de república autônoma da Ucrânia, já estava sob controle de forças pró-Moscou desde 28 de fevereiro.

Jornal Midiamax