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Queda do apoio à Copa deixa governo e Fifa aos pés da seleção

A brusca queda de apoio da população à Copa-2014, detectada em pesquisa Datafolha, deixou o governo federal e a Fifa aos pés da seleção brasileira. Os problemas de organização do Mundial, atrasos e gastos em excesso, diminuíram a aprovação ao evento. Mas a CBF tem consciência de que uma boa campanha do time pode salvar […]

Arquivo Publicado em 25/02/2014, às 15h24

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A brusca queda de apoio da população à Copa-2014, detectada em pesquisa Datafolha, deixou o governo federal e a Fifa aos pés da seleção brasileira. Os problemas de organização do Mundial, atrasos e gastos em excesso, diminuíram a aprovação ao evento. Mas a CBF tem consciência de que uma boa campanha do time pode salvar o mau humor do povo e lhe dar mais poder.


A pesquisa Datafolha mostrou que 52% são a favor da Copa, uma redução considerável em relação a 2008 (79%) e junho de 2013 (65%). O número de pessoas contra saltou de 10% para 38%. A virada se acentuou na Copa das Confederações com as manifestações.


O preço da Copa deve ficar em R$ 25,7 bilhões, pois o governo não prevê nova revisão no orçamento, segundo apurou o blog. Só haverá um balanço após o evento. É um gasto bem menor do que os R$ 33 bilhões previstos porque boa parte dos projetos de infraestrutura não ficará pronta.


Haverá maior despesas com estádios e seus arredores do que com obras de mobilidade urbana. E, mesmo assim, as arenas atrasarão até a última hora.


No Ministério do Esporte, há uma percepção de que as seguidas críticas sofridas pelo Mundial são responsáveis pela queda na aprovação, embora se ressalte que a maioria ainda apoia o evento. Ainda há uma aposta de que o quadro pode ser revertido com obras entregues próximo ao evento.


Só que a presidente da República, Dilma Rousseff, já abandonou o discurso de legado da Copa. Na segunda-feira, não conectou o Mundial ao desenvolvimento, concentrando-se em alegria e esporte.


“Eu queria dizer para vocês que a Copa não será apenas um evento esportivo. Será um evento esportivo, sim, esse é o principal aspecto da Copa, mas também é uma oportunidade do Brasil se mostrar ao mundo, mostrar a força e a vitalidade da nação brasileira”, afirmou ela, que chama o evento de “Copa das Copas”.


Rousseff se aproximou do técnico Luiz Felipe Scolari desde o final da Copa das Confederações. Manda mensagens e marca encontros. Esteve com ele até na Festa da uva, em Caxias do Sul, na semana passada, onde o aplaudiu e o homenageou. Também troca mensagens com Neymar e outros atletas por twitter.


Dentro da CBF, lembra-se que, antes da competição, a presidente não quis visitar o time apesar de estar próxima quando os jogadores treinavam em Brasília. Preferia tentar derrubar José Maria Marin da chefia do COL (Comitê Organizador Local).


Mas a presidente foi vaiada na abertura e o time venceu em campo. Resultado: ela decidiu recebê-los após o triunfo. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e seu staff passaram a atuar como um elo entre a presidência e o time.


A Fifa também passou a apostar em um sucesso do time para amenizar o caldeirão do país. Jérôme Valcke e Joseph Blatter, têm repetido que o futebol é religião no país e que uma vitória apagará qualquer problema.


Agora, fortes, dirigentes da CBF sabem que tanto Rousseff quando a federação precisam que o Brasil avance na Copa para evitar problemas. Uma eliminação na quartas de final, por exemplo, deixaria o país de mau humor por oito dias enquanto o Mundial continuaria e os protestos, também. Se o time caísse nas oitavas, isso aumentaria.


Até porque a “pequena minoria”, como Ronaldo chama os opositores da Copa, cada vez cresce mais e ameaça virar maioria.

Jornal Midiamax