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Presidente russo Vladimir Putin aprova projeto de lei para anexação da Crimeia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aprovou nesta terça-feira (18) projeto de lei para a anexação da Criméia, uma ação chave em uma enxurrada de medidas para tornar a península do Mar Negro parte do território russo formalmente. A Corte constitucional da Rússia e os parlamentares do Kremlin esperam endossar o projeto rapidamente. Alguns legisladores […]

Arquivo Publicado em 18/03/2014, às 11h16

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aprovou nesta terça-feira (18) projeto de lei para a anexação da Criméia, uma ação chave em uma enxurrada de medidas para tornar a península do Mar Negro parte do território russo formalmente.


A Corte constitucional da Rússia e os parlamentares do Kremlin esperam endossar o projeto rapidamente. Alguns legisladores dizem que a Crimea pode fazer parte da federação russa até o final da semana.


No domingo (16), a Crimeia realizou referendo onde a maioria esmagadora optou por ser anexada à Rússia, se separando da Ucrânia. A chamada para a votação foi realizada duas semanas após as tropas russas ultrapassarem a fronteira e ocuparem a região. O ocidente e a Ucrânia descreveram o referendo, anunciado há duas semanas, como ilegítimo.


Os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram na segunda-feira (17) o congelamento de bens e outras sanções contra autoridades russas e ucranianas envolvidas na crise da Crimeia. O presidente Barack Obama alertou que mais sanções podem ser impostas, caso a Rússia não pare de interferir no território ucraniano.


O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse à rádio Europe-1 nesta terça que líderes do G8 “decidiram suspender a participação russa, e prevê-se que todos os outros países, os sete países líderes, se reunirão sem a Rússia”. Os outros sete membros do grupo já havia suspendido os preparativos para a cúpula do G-8 que a Rússia estava programando para sediar, em junho, em Sochi.


O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev, no entanto, descreveu o referendo de anexação da Crimea como um “acontecimento feliz”. Gorbachev, em declarações realizadas nesta terça ao jornal online Slon.ru, disse que o voto da Crimea oferece à população liberdade de escolha e mostra que “as pessoas realmente queriam voltar para a Rússia.”


O decreto assinado por Putin e publicado no site oficial do governo na terça de manhã é um dos passos para formalizar a anexação da Criméia. Putin discursará sobre o resultado do referendo nesta terça, onde deve reivindicar a participação da Rússia na Criméia e explicitar sua política na crise ucraniana.


Putin advertiu que estaria pronto para usar “todos os meios” possíveis para proteger os cidadãos russos no leste da Ucrânia. A Rússia tem ocupado a fronteira entre os dois países, aumentando os temores de uma invasão. De acordo com o primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk, em um comunicado televisionado, as agências de aplicação da lei da Ucrânia reuniram “provas convincentes da participação dos serviços especiais russos na organização de instabilidade no leste de nosso país.”


A Criméia fazia parte da Rússia desde o século 18, até que o líder soviético Nikita Khrushchev a transferiu para a Ucrânia, em 1954. Ambos os russos e maioria da população de etnia russa na Crimea veem a anexação como forma de corrigir um insulto histórico. A turbulência na Ucrânia começou em novembro com uma onda de protestos contra o presidente Viktor Yanukovych e se acelerou após sua fuga para a Rússia no final de fevereiro.

‘Sancionados’


Parlamentares russos responderam nesta terça com sarcasmo às sanções ocidentais impostas contra autoridades envolvidas nos procedimentos para anexar a Crimeia, pedindo aos Estados Unidos e à União Europeia que imponham as mesmas penalidades a centenas de membros do Parlamento.


Uma declaração adotada por unanimidade pela Duma Federal, a câmara baixa do Parlamento, afirmou: “Nós propomos ao sr. Obama e aos…euroburocratas que incluam todos os deputados da Duma Federal que votaram a favor desta resolução na lista de cidadãos russos afetados pelas sanções dos EUA e da UE”.

Jornal Midiamax