Geral

Performance no Barbican, em Londres, é acusada de racismo

Uma performance no Barbican, em Londres, está causando polêmica, provocando a ira de dezenas de manifestantes que protestaram na porta do centro cultural durante o fim de semana. O público acusa a exposição “Exhibit B”, inspirada nos “zoológicos humanos” da Europa e América do século XIX e início do século XX, de racismo. Na performance, […]

Arquivo Publicado em 15/09/2014, às 19h38

None

Uma performance no Barbican, em Londres, está causando polêmica, provocando a ira de dezenas de manifestantes que protestaram na porta do centro cultural durante o fim de semana. O público acusa a exposição “Exhibit B”, inspirada nos “zoológicos humanos” da Europa e América do século XIX e início do século XX, de racismo. Na performance, que abrirá no fim de setembro, atores negros posam acorrentados, no que pretende ser um comentário sobre os horrores do período colonial.

Criada pelo sul-africano Brett Bailey, de pele branca, o trabalho já rodou a Europa e chega à capital inglesa no dia 23 de setembro. Durante a turnê, a exibição tem sido amplamente criticada pela objetificação do povo negro. Um abaixo-assinado para o cancelamento da atração já atraiu mais de 21 mil assinaturas.

No sábado, uma multidão se reuniu em frente ao Barbican para protestar. Os participantes seguravam cartazes com frases como “eu sou alguém” e “eu não sou um objeto”. Imagens da manifestação foram divulgadas nas redes sociais com a hashtag #boycottthehumanzoo. A jornalista Sara Myers, uma ativista do movimento negro, disse que o público “vai pagar £ 20 para nos desrespeitar”.

“Isso (os zoológicos humanos) foram uma realidade dos nossos ancestrais negros africanos. Essa é a dor de alguém”, alegou. Sara acusou ainda os dirigentes do Barbican de não ouvir “as vozes da comunidade negra que estão dizendo: ‘isso é ofensivo, isso é racismo'”.

Apesar das reclamações, o centro cultural planeja seguir em frente com a exposição, descrita no site oficial da instituição como “uma crítica dos zoológicos humanos”. Toni Racklin, um dos diretores da casa, disse que a instalação visa “empoderar e educar, em vez de explorar”.

“O Barbican decidiu programar a exposição baseado em seu mérito artístico e ficamos satisfeitos que a obra aborde temas polêmicos e sensíveis. Como qualquer outra obra de abre, este é um trabalho subjetivo e nós apenas podemos assegurar aos que assinaram a petição que a peça tem como objetivo empoderar e educar, em vez de explorar”.

“Embora tenhamos tomado a decisão de programar este trabalho, também estamos buscando maneiras de realizar um debate público em torno das questões polêmicas levantadas por ‘Exhibit B’ durante sua realização em Londres”, concluiu Racklin.

Jornal Midiamax