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Ouvinte tem pedido de música negado, invade estúdio de rádio no RS e ameaça matar radialista

Jair Wathir demorou para atender ao telefonema de Zero Hora. Recluso em sua casa, em Giruá (noroeste do Rio Grande do Sul), ainda se recuperando do episódio em que foi ameaçado de morte dentro do estúdio da rádio 104.1 FM, o locutor respondeu à ligação justificando-se: — Não atendi às ligações porque não conhecia o […]

Arquivo Publicado em 06/04/2014, às 15h02

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Jair Wathir demorou para atender ao telefonema de Zero Hora. Recluso em sua casa, em Giruá (noroeste do Rio Grande do Sul), ainda se recuperando do episódio em que foi ameaçado de morte dentro do estúdio da rádio 104.1 FM, o locutor respondeu à ligação justificando-se:

— Não atendi às ligações porque não conhecia o número. Depois do que aconteceu… Sabe, não é?

Pudera. Na sexta-feira (4), Wathir vivenciou uma situação até então inédita em sua vida. Revoltado por ter seu pedido de música rechaçado pelo comunicador, o ouvinte da emissora Rogério Brondani invadiu o estúdio para encostar uma adaga (faca de dois lados, uma espécie de espada curta) nas costas de Wathir, que apresentava seu tradicional programa “Rola Bandas”, especializado em bandinhas folclóricas.

Em entrevista a Zero Hora, ele conta que não cogita abandonar a profissão, mas que tem uma preocupação: a falta de segurança no local onde trabalha.

Como o ouvinte foi parar dentro do estúdio com uma faca?

Jair Wathir – Ele tinha ligado para o estúdio e pedido por uma música gauchesca, nada a ver com o estilo de música do programa que apresento, que é focado em bandinhas de ritmos tradicionais. Desliguei o telefone e mandei um abraço para ele no ar. Logo depois, ele ligou de novo, dizendo que, se eu não colocasse a música, iria até a emissora e me mataria. Dez minutos depois ele estava atrás de mim, com uma adaga na mão.

Você já conhecia o ouvinte que entrou no estúdio?

Wathir – Sim, já tive contato com ele. Não era próximo, mas conversei com ele algumas vezes. Ele é conhecido por ser dono de um barzinho que vende cachaça. De vez em quando, ele anda bêbado por aí.

Ele estava alterado ou tinha um comportamento normal?

Wathir – Olha, ele estava visivelmente alterado. Chegou lá e voou para cima de mim, nem deu tempo de reagir. O que me salvou foi ter deixado o microfone aberto. Os ouvintes escutaram quase tudo o que aconteceu e não demoraram para ligar para polícia. Pena que, quando a viatura chegou, o rapaz já tinha fugido.

Chegou a pensar que ele te mataria?

Wathir – Sim, temi que ele fosse me cortar com aquela faca. Ainda mais depois das coisas que ele falou. Me indignou também o fato de ele ter chegado com um taxista que o esperou uma quadra depois do estúdio.

Pretende parar de trabalhar depois desse episódio inusitado?

Wathir – Não vou negar que estou muito assustado. Mas vou dar um tempo, um ou dois dias, e retorno para rádio. Gosto muito do que faço, e faço há mais de 20 anos. Só espero que a polícia encontre esse rapaz.



Clique aqui e confira o áudio da briga.



Jornal Midiamax