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“Observamos muito o mercado móvel para fazer o PS4”, diz chefe da Sony

Na Sony há mais de duas décadas, Andrew House é o responsável mundial pelo console PlayStation. Formado em literatura pela Universidade de Oxford, House é britânico e fluente em japonês -antes de ser presidente-executivo da SCEI (Sony Computer Entertainment), ele trabalhou por cinco anos na sede da companhia em Tóquio. Um dia depois de comandar […]

Arquivo Publicado em 23/06/2014, às 14h25

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Na Sony há mais de duas décadas, Andrew House é o responsável mundial pelo console PlayStation.

Formado em literatura pela Universidade de Oxford, House é britânico e fluente em japonês -antes de ser presidente-executivo da SCEI (Sony Computer Entertainment), ele trabalhou por cinco anos na sede da companhia em Tóquio.

Um dia depois de comandar a conferência da Sony na E3, a maior feira de games do mundo, que aconteceu em Los Angeles no início do mês, House concedeu uma entrevista à Folha.

Ele falou sobre a concorrência de dispositivos móveis e sobre como terminou o game de fliperama “Defender” com apenas uma ficha quando era adolescente. Leia abaixo os principais trechos da conversa com o executivo.

Folha – O PS4 vendeu, até agora, mais de 7 milhões de unidades em todo o mundo. É o número que a Sony esperava?
Andrew House – Definitivamente não. O número real está pelo menos 2 milhões de unidades acima do que previmos. Tanto superou nossas expectativas que estamos tendo problemas para suprir a demanda.

O que o senhor acha que atraiu os consumidores para o PS4?
O PS4 é uma plataforma completa. Claro que nosso foco é o jogador, mas você pode usar o PS4 para acessar a internet ou ver filmes, seja em Blu-ray ou por meio de aplicativos como o Netflix. É um dispositivo multifuncional.

O crescente mercado dos games móveis é um desafio a ser vencido pelos consoles? Qual é a estratégia da Sony contra esse tipo de concorrência ou há espaço para todos?
Acho que as vendas do PS4 confirmam que há espaço para todos. Há diferentes tipos de oportunidades durante o dia -na fila do banco, você pode usar o celular; em casa à noite, jogar no console. Estamos aprendendo muito com o mercado móvel.
É difícil prever o que o consumidor quer, mas alguns dos indicativos, como a vontade das pessoas em permanecer conectadas à internet e em contato umas com as outras, compartilhando conteúdo, veio sim, e muito, das observações do espaço móvel.

Ao menos nos Estados Unidos, mais de um terço dos jogadores tem idade acima de 36 anos. Não é hora de os games amadurecerem? Vamos ver mais jogos como “Beyond” no PS4, que dá ênfase para os personagens e para o enredo em vez de explosões e tiros?
Eu, pessoalmente, adoraria ver mais jogos focados em relacionamentos e histórias, sem armas. Seria ótimo, inclusive para o desenvolvimento dos games como arte. Mas o PlayStation é uma plataforma feita para alcançar o maior número possível de pessoas. Por isso, vamos sempre ver jogos de todos os tipos: indies, games de arte, títulos de ação etc.

O que a empresa planeja fazer com o Morpheus [óculos de realidade aumentada da Sony]? Há alguma data de lançamento prevista?
O que você viu hoje é um protótipo. Mas temos algumas ideias e uma das coisas mais interessantes do Morpheus é que ele não precisa ser utilizado apenas em games. Pode ser usado para turismo virtual, já pensou nisso? Você coloca o óculos e se vê em outra cidade. Essa é só uma ideia.

O senhor tem tempo para jogar videogame? Tem algum título favorito?
Estou quase terminando “Knack”. Também gosto muito de “Resogun”, claro, é o jogo perfeito para quem já zerou “Defender” com apenas uma ficha de fliperama. Mas estou realmente esperando “The Order” –eu, como britânico, quero muito um jogo ambientado na Inglaterra durante a Era Vitoriana.

A Sony planeja reduzir o preço de R$ 4.000 do PlayStation 4 no Brasil?
Quero dizer que estamos completamente cientes de que o preço do PlayStation 4 no Brasil é alto, é injusto. Sabemos disso. Não há nada para compartilhar agora, mas estamos estudando todas as opções para baixá-lo, desde a fabricação local até conversas com o governo brasileiro.

Jornal Midiamax