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Obra de ‘escritor maldito’ vai para os palcos por primeira vez em Campo Grande

Considerado pela crítica como “escritor maldito”, Plínio Marcos foi “repórter de um tempo mau”, uma vez que a maioria de suas obras retratava a realidade do país de forma “nua e crua”, as mazelas da sociedade e, por isso, muitas textos dele foram até proibidos pela censura. Espetáculo inédito, a peça “O Bote da Loba” […]

Arquivo Publicado em 18/03/2014, às 20h51

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Considerado pela crítica como “escritor maldito”, Plínio Marcos foi “repórter de um tempo mau”, uma vez que a maioria de suas obras retratava a realidade do país de forma “nua e crua”, as mazelas da sociedade e, por isso, muitas textos dele foram até proibidos pela censura.

Espetáculo inédito, a peça “O Bote da Loba” que será encenada neste sábado e domingo (22 e 23 de março), às 20 horas, foi escrita em 1997 pelo dramaturgo pouco antes de sua morte. A dramaturgia parece estar inacabada e o próprio autor chega a mencionar essa possibilidade. O texto nunca foi publicado e até então nunca havia sido montado.

Reconhecido pela linguagem simples e direta, e pelos personagens subalternos, sua poética diferenciava das produções que fazem parte do compêndio do teatro nacional, uma vez que Plínio Marcos procurava retratar a temática da marginalidade no cotidiano.

Em “O Bote da Loba”, Plínio Marcos coloca em questão a angústia de muitas mulheres que não sabem lidar com sua própria sexualidade e, por extensão, a sua sexualidade relacionada aos seus parceiros. Por muitos anos a mulher foi e ainda é instruída a ser submissa, cumprindo o papel de dona do lar: mãe e esposa. Nas atribuições da casada ainda estava à função de ser “mulher na cama”.

Todavia essa condição acabou se tornando uma obrigação e muitas mulheres desconheciam o prazer sexual, o carinho, o afeto durante uma relação sexual. Eis que algo diferente, até então para Laura, uma das personagens da peça, acontece. Ela conhece Veriska, uma mulher dona de si, que propõe como primeiro tratamento livrar-se de suas couraças e experimentar o que seria o inicio de sua libertação.

Com as atrizes Patrycia Andrade e Aline Calixto, e direção de Vitor Samudio, a peça será encenada no teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, neste fim de semana. O espetáculo “O Bote da Loba” que foi contemplado pelo Prêmio Rubens Correa de Teatro da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul celebra os 10 anos do Marcado Cênico.

Serviço

A classificação da peça “O Bote da Loba” é de 18 anos e a duração aproximada é de 50 minutos Os ingressos serão vendidos com uma hora de antecedência no dia da apresentação a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

A meia-entrada é válida para crianças até 12 anos, estudantes, professores, doadores de sangue e idosos (acima de 60 anos), com a apresentação de seu respectivo comprovante.

O Centro Cultural José Octávio Guizzo fica localizado na Rua 26 de Agosto, 453, entre as ruas Calógeras e a 14 de Julho Outras informações podem ser obtidas pelos telefones 9854-1010, 3317-1795 ou no site www.mercadocenico.com.

Jornal Midiamax