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No dia contra a discriminação racial, lideranças dizem que não há o que festejar e sim alertar

Hoje, 21 de março, é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Entretanto, segundo as lideranças dos negros e dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul, não há o que comemorar e sim alertar. Eles cobram punição a declarações e atos racistas contra negros e indígenas. Negros O presidente do Conselho Estadual dos Direitos […]

Arquivo Publicado em 21/03/2014, às 15h00

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Hoje, 21 de março, é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Entretanto, segundo as lideranças dos negros e dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul, não há o que comemorar e sim alertar. Eles cobram punição a declarações e atos racistas contra negros e indígenas.

Negros

O presidente do Conselho Estadual dos Direitos dos Negos em Mato Grosso do Sul (Cedine/MS), Carlos Versoza, vê pequeno avanço e conquista dos negros no Estado, sobretudo no âmbito universitário, mas admite que o conservadorismo político e o racismo influenciam na hora de escolher entre um negro e um branco para um cargo.

“O negro tem mais dificuldade de conseguir um cargo alto, de poder, mesmo se destacando. Ainda preferem o branco, por racismo e conservadorismo político”, declarou. Versoza citou também a violência policial, a dificuldade de acesso à saúde e a marginalização que o negro sul-mato-grossense sofre diariamente.

“Precisamos de uma inserção maior na sociedade. Estamos buscando isso, nos aperfeiçoando, nos preparando, estudando, trabalhando. Políticas sociais e raciais ajudaram, mas só veremos o resultado em quinze, vinte anos”, analisou.

O presidente do Cedine ainda mostrou-se descrente sobre o fim do racismo. “É quase uma utopia. Racismo é crime, e é uma lei que não é respeitada no Brasil. Tem que haver punição aos racistas”, cobrou. Versoza também listou trabalhos culturais, educacionais, prevenção e conscientização como formas de diminuir o racismo no estado e no país.

Indígenas

Flávio Machado, conselheiro do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) regional de Mato Grosso do Sul, pensa da mesma forma. “Não há o que comemorar. Ainda faz parte do senso comum do sul-mato-grossense que o povo indígena é de segunda categoria”, lamenta.

Machado afirma que os indígenas sofrem “racismo institucional” em Mato Grosso do Sul, “uma vez que lideranças políticas, tanto do executivo, quanto do legislativo, fazem falas públicas contra os indígenas”. Ele atribui a situação a interesses da “oligarquia política que existe no estado”.

O conselheiro frisa que é necessário alertar a sociedade do quanto os povos indígenas podem contribuir para o desenvolvimento do estado. “Eles estão aqui antes de o estado ser formado, e têm muito a colaborar. Se integrarmos os índios teremos uma pluralidade que pode ser destaque nacional. Os indígenas têm uma riqueza cultural muito forte”, declarou.

Números

Segundo a última pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicada em 2010, os negros (pretos e pardos) em Mato Grosso do Sul são aproximadamente 48% da população e os indígenas 9%. Com mais de 70 mil índios, MS é o segundo estado do país com maior população indígena, perdendo apenas para Amazonas.

Jornal Midiamax