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“Negligência”, diz filho de homem que morreu em frente a hospital no Rio

O filho do homem que morreu após sofrer um infarto dentro de um ônibus que passava em frente ao INC (Instituto Nacional de Cardiologia), na zona sul do Rio de Janeiro, afirmou em entrevista ao telejornal “Bom Dia Brasil” que acredita se tratar de negligência a falta de atendimento médico na unidade hospitalar. “Estava em […]

Arquivo Publicado em 03/06/2014, às 15h49

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O filho do homem que morreu após sofrer um infarto dentro de um ônibus que passava em frente ao INC (Instituto Nacional de Cardiologia), na zona sul do Rio de Janeiro, afirmou em entrevista ao telejornal “Bom Dia Brasil” que acredita se tratar de negligência a falta de atendimento médico na unidade hospitalar.


“Estava em frente ao hospital de cardiologia, que é referência nacional de cardiologia. Deve ter centenas de médicos cardiologistas ali dentro. Eu acho que isso precisa ser investigado e apurado melhor, mas ao que tudo indica até então foi uma tremenda negligência, uma tremenda falta de respeito que pode ter custado a vida do meu pai”, disse Victor Banhara Marigo.


O hospital público não tem atendimento de emergência e está em greve. Luiz Cláudio Marigo, 63, fazia a viagem em um ônibus da linha 422 (Grajaú-Cosme Velho) quando passou mal. Ao ser alertado por passageiros sobre o homem que passava mal, Amarildo Gomes, motorista do ônibus, parou o veículo em frente ao INC e foi orientado pelos funcionários do hospital a ligar para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).


“Eles alegaram que não tinha emergência lá. Eles mesmos incentivaram a gente a ligar para o 192”, contou Gomes ao “Bom Dia Brasil”. Uma equipe do Samu que fazia o transporte de outro passageiro para o INC prestou os primeiros socorros ao homem, que não respondeu às tentativas de reanimação e faleceu.


“É um absurdo completo ninguém ter prestado socorro. O motorista parou em frente ao hospital dizendo que um homem estava passando mal do coração e o hospital do coração não faz nada”, afirmou a viúva de Marigo, Cecília Banhara, ao telejornal. O enterro de Marigo será no cemitério São João Batista, às 14h.


O INC afirmou, também por meio de nota, que não houve tempo necessário para prestar socorro ao homem e que, apesar de não estar credenciado a atender emergências, o instituto deixou a postos uma equipe de médicos e um leito para o atendimento para esse caso.


Já o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio), afirmou que apura o que aconteceu. “O atendimento na emergência e urgência dos hospitais federais está acontecendo normalmente, assim como aos pacientes com câncer e com doenças crônicas. Em relação ao caso do Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro irá apurar o caso”, diz a nota divulgada pelo órgão.


Marigo era um fotógrafo renomado, especializado em imagens da natureza brasileira. Além de ter fotografias publicadas em diversas revistas brasileiras e estrangeiras, ele publicou dez livros sobre o tema e recebeu menções honrosas em concursos fotográficos internacionais.

Greve


Cristiane Gerardo, diretora do Sindsprev (Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social) do Rio de Janeiro, explicou que a greve não tem o objetivo de prejudicar a população. “O nosso objetivo é expressar e conscientizar a população sobre as nossa causa do que propriamente interromper o serviço”, explica a diretora.


Todos os pacientes que se dirigem ao INC são informados de que o hospital está em greve. Na pauta de reivindicações dos grevistas estão realização de concursos públicos para novos profissionais da saúde, protesto contra a privatização do instituto, melhores condições de trabalho e atendimento, manutenção da jornada de 30 horas semanais e implementação da tabela salarial aprovada em 2012 pelo então ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Jornal Midiamax