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Morte de Erlon pode revelar esquema que fornece placas originais para bandidos em MS

As placas usadas pela quadrilha para disfarçar o carro roubado do empresário foram fabricadas pela empresa Ions, fornecedora oficial do Detran-MS. Polícia Civil prometeu investigar como o material original chegou aos criminosos.

Arquivo Publicado em 15/04/2014, às 19h52

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As placas usadas pela quadrilha para disfarçar o carro roubado do empresário foram fabricadas pela empresa Ions, fornecedora oficial do Detran-MS. Polícia Civil prometeu investigar como o material original chegou aos criminosos.

As placas utilizadas pelos bandidos que mataram Erlon Peterson Pereira Bernal para disfarçar o carro que roubaram dele são originais e foram fabricadas pela empresa ‘Ions’, que é fornecedora oficial de placas e tarjetas automotivas do Detran-MS e tem sede em Campo Grande. Agora, a Polícia Civil promete ir atrás do caminho que o material percorreu até chegar às mãos da quadrilha.

Em coletiva nesta terça-feira (15), a Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Defurv) afirmou que vai investigar a empresa. Após o roubo do carro, a quadrilha retirou a placa original, instalou uma nova placa e mudou a cor de prata para branco.

A delegada Maria de Lourdes Cano, responsável pela investigação sobre o roubo e a morte do empresário, a empresa é credenciada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e terá que dar explicações sobre o porquê de ter fornecido a placa à quadrilha. A delegada não descarta a possibilidade de um esquema de fornecimento de placas ter sido montado.

O dono da empresa, funcionários e o  Detran já foram ouvidos. Conforme Maria de Lourdes, os responsáveis pela empresa disseram que não sabem quem solicitou a placa e que o pedido teria sido feito por telefone, no dia 28 de março. “Eles disseram que era um dia muito tumultuado e que não anotaram quem solicitou”, diz a delegada.

Ainda conforme a Maria de Lourdes, há uma norma do Detran em que um funcionário da empresa deve levar a placa ao Detran para dar continuidade ao processo de emplacamento, o que não aconteceu no caso. O Detran ainda afirmou à polícia que não tinha nenhum processo administrativo envolvendo a placa que foi encontrada no Golf de Erlon.

Com a placa confeccionada por uma empresa credenciada e com a cor do veículo alterada, a delegada diz acreditar que o carro poderia ser levado facilmente para o Paraguai, onde poderia ser vendido ou trocado por drogas.  O caso será apurado em um auto complementar ao inquérito que apura o latrocínio do empresário. A Polícia Civil espera concluir o caso em até dez dias.

Morte – Erlon foi atraído pela quadrilha no dia 1ª de abril por meio de um anúncio da internet, onde ele havia oferecido um Golf, de cor prata. A vítima se encontrou com um dos suspeitos próximo a uma fábrica de refrigerantes, que fica na saída para São Paulo. O criminoso convenceu o empresário de ir até o bairro São Jorge da Lagoa – área sudoeste da Capital, para mostrar o carro a uma tia, que seria a nova proprietária.

Na casa da adolescente, ele foi morto com um tiro na cabeça. O corpo foi arrastado até o quintal e jogado em uma vala, ao lado da fossa. Por cima, foi colocado lixo. Já o carro, foi levado para uma funilaria, onde foi pintado de branco e as placas trocadas.

De acordo com a Defurv, os envolvidos no crime são: Thiago Henrique Ribeiro, de 21 anos, que trabalha em uma fábrica de refrigerantes na saída para São Paulo, o pedreiro Jeferson dos Santos Souza, de 21 anos, Rafael Diogo, conhecido como “Tartaruga”, de 21 anos, empregado de uma lavanderia de hospital, e o funileiro Athaíde Pereira, de 50 anos. Além de uma adolescente de 17 anos, que teve a identificação preservada, conforme prevê o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Jornal Midiamax