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Moradores querem placa com nome das ruas ao invés de trocar homenagens à ditadura

Os comerciantes com pontos nas avenidas Ernesto Geisel e Costa e Silva, que levam nomes de políticos que foram presidentes do Brasil durante a Ditadura Militar, desaprovam a alteração dos nomes das vias, como prevê a lei nº 7.440/2013. Eles alegam que há medidas mais importantes, como a colocação de placas de identificação em ruas […]

Arquivo Publicado em 23/02/2014, às 12h29

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Os comerciantes com pontos nas avenidas Ernesto Geisel e Costa e Silva, que levam nomes de políticos que foram presidentes do Brasil durante a Ditadura Militar, desaprovam a alteração dos nomes das vias, como prevê a lei nº 7.440/2013. Eles alegam que há medidas mais importantes, como a colocação de placas de identificação em ruas da cidade para facilitar a localização.


A lei, de autoria do vereador Wanderley Cabeludo (PMDB), foi aprovada por unanimidade na Câmara de Campo Grande, em 4 de dezembro do ano passado,  e  prevê a alteração de nomes de ruas ligados ao período da Ditadura Militar. Além disso, dispõe sobre a proibição de nomes de qualquer pessoa que tenha “praticado atos de lesa-humanidade, violação de diretos humanos ou deles sido historicamente considerados e envolvidos em crimes de corrupção no município”.


Com estabelecimento na Avenida Ernesto Geisel há 35 anos, Cícero do Nascimento, de 46 anos, é contra a medida por questão de prioridade. “Acho mais urgente a colocação de placas nas ruas da periferia da Capital”, afirma o comerciante, que realiza entregas em diversos bairros da cidade.


Apesar disso, Cícero deixa claro que não apoia a homenagem aos ditadores. “Para o que eles fizeram na época não justifica a homenagem, mas tem coisas mais importantes”, enfatiza.


O comerciante Raul Santana da Silva, de 45 anos, é contra a mudança, mas por uma questão de logística. “Acho isso uma bobeira. A partir do momento que mudar as pessoas perdem a referência. Dificulta a localização”, afirma.


Com ponto na Avenida Costa e Silva há 15 anos, a comerciante Maria da Silva, de 67 anos, não aprova a mudança. “Desde o começo da cidade tem este nome. Acho que vai causar confusão na população e tem coisas mais importantes para entrar com projeto”, afirma.


No local há quatro anos, o comerciante Adão Alves dos Santos, de 63 anos, afirma que depois de organizarem a sinalização de todas as ruas da cidade pode-se pensar em mudar o nome das ruas. “O principal é colocar placas com os nomes de rua. Aqui tem, mas tem muito bairro aqui que falta ou estão trocadas”, explica.


O jovem Diego Mourão, de 18 anos, foi o único que se manifestou a favor da mudança nos nomes das avenidas. “Seria melhor mudar. Eu votaria a favor”, afirma.  Apesar disso, o jovem não soube explicar sobre os atos de repressão cometidos durante o período de 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1986, que durou o regime.


Aula de história e consulta popular


O vereador Wanderley Cabeludo (PMDB) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o projeto está na fase de mapeamento das ruas que levam nomes de ditadores e outras pessoas que violaram os direitos humanos.


A partir disso, serão realizadas ações para explicar aos moradores e comerciantes da via quem foi a pessoa homenageada até então e justificar o motivo da mudança. Depois, uma votação será realizada para verificar a aprovação da mudança. Conforme a lei é necessário que 2/3 das pessoas residentes na rua concordem com a alteração.


Jornal Midiamax