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Moradores do Residencial Nelson Trad relatam problemas estruturais após inauguração

Uma das moradoras, que preferiu não se identificar, disse ao Midiamax que, além dela, diversos mutuários estão reclamando de problemas na estrutura dos prédios. Muitos deles já se mudaram para os apartamentos, mesmo com as falhas.

Arquivo Publicado em 24/06/2014, às 18h15

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Uma das moradoras, que preferiu não se identificar, disse ao Midiamax que, além dela, diversos mutuários estão reclamando de problemas na estrutura dos prédios. Muitos deles já se mudaram para os apartamentos, mesmo com as falhas.

Paredes com infiltração, vazamentos, falta de energia elétrica e água. Esses são só alguns problemas apontados por mutuários do residencial Nelson Trad, no Jardim Carioca, em Campo Grande (MS), inaugurado em 11 de junho de 2014.

Uma das moradoras, que preferiu não se identificar, disse ao Midiamax que, além dela, diversos mutuários estão reclamando de problemas na estrutura dos prédios. Muitos deles já se mudaram para os apartamentos, mesmo com as falhas.

Somente no caso da moradora, o problema é a falta de água e na porta de entrada do apartamento. “Em outros tem disjuntores desligando sozinhos, encanamento de água invertido, queda de energia, são vários os problemas”, relata. Ela espera a solução para se mudar, mas tem pressa, pois o contrato de aluguel onde mora atualmente está para acabar e, no máximo, no início do mês ela precisa se mudar.

A reportagem foi ao residencial, no último sábado (21), mas foi impedida de entrar por uma mulher, que sem se identificar, se apresentou apenas como síndica do residencial. Enquanto a equipe esperava por respostas, do lado de fora, uma outra moradora, que também preferiu não se identificar afirmou a situação. “Isso aqui está um caos”. Nas proximidades do prédio, onde foi possível encontrar os moradores, apesar de afirmarem que existem problemas, ninguém quis se identificar.

Na ocasião, a síndica reconheceu que existem falhas na estrutura e que, no sábado, haveria uma reunião com os mutuários a respeito disso. Ela disse, ainda, que o problema deveria ser tratado com a Brookfield, empreiteira responsável pelo empreendimento, que montou um escritório atrás do residencial para realizar os atendimentos de pós obra.

No local, havia apenas um segurança, de uma empresa terceirizada, que informou que o atendimento tinha encerrado às 13h, do sábado. Sobre isso, a mesma moradora que espera a solução dos problemas para poder entrar em seu apartamento, disse que a fila de mutuários em frente ao escritório da Brookfield era grande. “Tinha uma fila enorme de pessoas com reclamações”, afirma.

Segundo a moradora, as queixas são levadas à Broksfield, que em ordem de chegada, envia técnicos para realizar os reparos.

O Midiamax entrou, novamente, em contato com a moradora para saber se ela já havia conseguido se mudar para seu apartamento. “Fiquei ainda o domingo todo esperando pelo conserto, mas não resolveram, continua sem água”, afirma.

O vereador Airton Araújo (PT), que também apontou as falhas no condomínio, disse que deve tomar alguma decisão sobre isso. “Estão achando que aqui é terra sem dono”, disse em relação às construtoras que vêm para o Estado e realizam obras problemáticas, lembrando-se do caso da Homex.

Contrapartida

Responsável pela contrapartida de infraestrutura, a Prefeitura de Campo Grande informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que a incumbência pelo padrão da obra é da empreiteira que construiu o residencial, a Brookfield. Neste caso, afirma, como os recursos do Minha Casa, Minha Vida, programa do Governo Federal, não seria suficiente para atender questões como esgoto, asfalto e drenagem, a Prefeitura entrou com recursos para atender a esta demanda.

Conforme explica, o papel da Prefeitura também foi selecionar os mutuários, por meio da Agência Municipal de Habitação de Campo Grande (Emha) que, depois disso, passou, ainda, pelo critério da Caixa Econômica Federal (CEF).

Já a empresa Brookfield pronunciou-se através de comunicado à imprensa e informou que mantém serviço de assistência técnica no local à disposição dos moradores do residencial, e reforçou que é necessário que os moradores abram um chamado no posto de atendimento para agendar a realização dos serviços.

Ainda em nota, a empreiteira garantiu que tem feito reparos solicitados que são de sua responsabilidade e constam na garantia do imóvel. Quanto ao fornecimento de energia elétrica, a Brookfield , esclareceu que o serviço é de responsabilidade da concessionária que atende a cidade e a ligação deve ser solicitada pelo morador.

Residencial Nelson Trad

A primeira etapa do Residencial Nelson Trad, entregue em 11 de junho deste ano, foi construída com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e contrapartida do município. Segundo as informações oficiais, foram investidos R$ 90 milhões nos 808 apartamentos.

Para a construção, o governo federal subsidiou parte do investimento para as famílias e a outra parte será paga pelo beneficiado em prestações de até 10% da renda familiar durante dez anos. Cada apartamento tem 43 m² de área construída, com dois quartos, cozinha, copa e área de serviço e custo total é de R$ 54 mil. Os imóveis estão divididos em cinco condomínios: Acácia, Jasmim, Tulipa, Beladona e Bromélia.

Jornal Midiamax