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‘Maquiavélico’, diz delegado sobre publicitário suspeito de matar zelador em SP

O delegado Egídio Cobo, responsável pela investigação sobre a morte de um zelador em São Paulo, disse que o publicitário suspeito de cometer o crime é “maquiavélico”. Eduardo Tadeu Pinto Martins, de 47 anos, e sua mulher, uma advogada de 42 anos, foram presos pela morte e esquartejamento de Jezi Lopes de Souza, de 63 […]

Arquivo Publicado em 03/06/2014, às 13h22

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O delegado Egídio Cobo, responsável pela investigação sobre a morte de um zelador em São Paulo, disse que o publicitário suspeito de cometer o crime é “maquiavélico”. Eduardo Tadeu Pinto Martins, de 47 anos, e sua mulher, uma advogada de 42 anos, foram presos pela morte e esquartejamento de Jezi Lopes de Souza, de 63 anos. A Justiça decretou a prisão temporária do casal, por 30 dias.


O zelador desapareceu no prédio onde trabalhava, na Zona Norte, na sexta-feira (30), e seu corpo só foi encontrado nesta segunda (2) em uma casa em Praia Grande, litoral de São Paulo. O publicitário foi preso no mesmo local. A mulher dele, Ieda da Silva Martins, se apresentou à polícia e foi detida. Ambos seriam ouvidos na noite desta segunda.


De acordo com policiais envolvidos na prisão, o publicitário confessou o crime e acrescentou que a motivação foram desavenças que tinha com a vítima. “Coisas banais, coisas de condomínio. Nem todos os condôminos aceitam a maneira de administrar”, afirmou o delegado, que é titular do 13º Distrito Policial de São Paulo. “Ele nunca esperava que a polícia fosse agir tão rápido.”


Delegado da Quarta Seccional de São Paulo, Ismael Rodrigues esteve no local do crime e foi um dos primeiros que conversou com o suspeito. Segundo o publicitário, “a vítima bateu a cabeça no batente da porta e morreu, faleceu”.


A investigação aponta que, em seguida, Martins colocou o corpo dele em uma mala e fugiu para Praia Grande, no litoral paulista. “No domingo, passou a cortar a vítima com um serrote”, afirmou Rodrigues.


Suspeita de participação no assassinato, a mulher do publicitário nega o crime, segundo o delegado. Ela disse que o marido contou que a mala estaria cheia de roupas para doação a uma igreja.


Ao chegar à casa em Praia Grande, policiais encontraram pedaços do corpo espalhados, em sacos plásticos. Outros ele tentou queimar e alguns, enterrar. “Ao redor da churrasqueira tinha alguma coisa queimando, baldes, serrote”, afirmou o delegado Egídio Cobo. “Ele é habilidoso, maquiavélico.”


Para o advogado Robson Lopes de Souza, primo do zelador, tudo indica que o esquartejamento foi feito fora da residência do publicitário. “Provavelmente foi morto por asfixia no apartamento e, de lá, levado para a praia. A pessoa deixou o cadáver lá e voltou no dia seguinte. Todos esses dias ele esteve aqui [São Paulo] e voltou para lá [Praia Grande]”, disse. “Depois de voltar para lá hoje, foi para lá para eliminar o cadáver. Esquartejou e estava tentando colocar fogo.”

Imagens do desaparecido


Jezi foi visto pela última vez às 15h35 de sexta saindo do elevador do edifício residencial onde trabalhava, na Rua Zanzibar, bairro da Casa Verde.


Imagens de câmeras de segurança do condomínio, exibidas nesta segunda pelo Bom Dia São Paulo, mostram o momento em que ele deixa o elevador num dos andares levando cartas que seriam entregues aos moradores. Depois disso, o circuito interno não mostra mais Jezi retornando ao elevador.


Outras 15 câmeras também não registraram a passagem dele pelas escadas. Todos os equipamentos funcionam 24 horas por dia gravando quem entra e sai do prédio.
Ao todo, o edifício tem 22 andares. Só na frente do imóvel, há três câmeras, e em nenhum momento os equipamentos registraram o zelador deixando o local.


De acordo com o registro policial, a filha de Jezi relatou que um dos moradores tinha “problemas de relacionamento” com seu pai. Ela também informou que uma moradora lhe contou ter “ouvido gritos de discussão, pedindo para parar, e ao olhar pelo olho mágico do apartamento teria visto o morador [o publicitário] (…) fechando a porta”.


Esse episódio ocorreu em horário compatível com a última vez que o zelador foi visto deixando o elevador. Além da família do zelador, policiais militares e funcionários do prédio vasculharam todo o edifício e não encontraram Jezi.

Imagens de moradores


Sheyla, o namorado dela e um policial militar, que vasculharam o prédio em busca do zelador, também informaram que, por volta das 17h50 de sexta, as câmeras do prédio gravaram o publicitário entrando no elevador “arrastando uma mala escura e carregando um saco, ambos de grande porte, que demonstraram estarem bem pesados, levando-se em consideração a dificuldade (…) ao arrastá-los”.


Em seguida, as testemunhas relataram que o morador desceu até a garagem e, pelas imagens, a mulher dele o ajudou a colocar a bagagem e o saco no carro do casal. Os dois moradores saíram com o veículo e retornaram, mas o horário não foi informado no boletim. Esse vídeo não foi divulgado.

Sábado


Depois, no sábado, quando a família registrou o desaparecimento de Jezi, policiais militares foram até a residência do casal de moradores do prédio, onde o homem contou que “já havia discutido diversas vezes com Jezi, mas que ontem [sexta-feira] nada havia acontecido”.


Os policiais vasculharam o local e encontraram mala e sacos similares aos exibidos pela gravação do prédio, mas verificaram que dentro deles havia roupas e tênis. Depois, desceram com a mulher até o estacionamento e verificaram que dentro do automóvel do casal estava uma mala parecida com as da filmagem. Dentro delas, porém, só tinham roupas.


Indagado pelos policiais, o casal disse que tinha saído para levar as roupas para uma igreja, mas retornaram porque ela estava fechada no dia. Os policiais informaram no boletim que “não visualizaram nenhum sinal de violência no apartamento do casal ou no veículo”.


Mais de 23 mil pessoas desapareceram no estado de São Paulo em 2013, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). De acordo com a pasta, 80% desses casos foram esclarecidos.

Jornal Midiamax