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Jogo da Seleção expõe exageros do faraônico Soccer City

Construído na porta de entrada de Soweto para quem saiu de Johannesburgo, em uma região despovoada e com acesso preferencial apenas por rodovias, o Estádio Soccer City surge no horizonte como uma obra dos tempos dos faraós no Egito, quando pirâmides eram erguidas e provocavam (e ainda provocam) fascínio por sua grandiosidade. Imponente e com […]

Arquivo Publicado em 06/03/2014, às 13h49

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Construído na porta de entrada de Soweto para quem saiu de Johannesburgo, em uma região despovoada e com acesso preferencial apenas por rodovias, o Estádio Soccer City surge no horizonte como uma obra dos tempos dos faraós no Egito, quando pirâmides eram erguidas e provocavam (e ainda provocam) fascínio por sua grandiosidade. Imponente e com capacidade para receber 94 mil pessoas em eventos esportivos, o estádio que mais simbolizou a Copa do Mundo de 2010 virou um cartão-postal da África do Sul, mas tem se mostrado exagerado para atender as necessidades da região.


O jogo entre África do Sul e Brasil, na última quarta-feira, pode ser considerado um dos principais eventos esportivos no local desde a final entre Holanda e Espanha em 2010. Mesmo assim, o duelo não chegou nem perto de encher o local. Na verdade atingiu uma capacidade próxima a 60% se considerado que a federação sul-africana colocou 90 mil ingressos à venda.


O maior público esportivo do estádio não teve o futebol como protagonista. Em 2012, o Soccer City recebeu 94.713 pessoas para uma partida de rúgbi entre África do Sul e Nova Zelândia. A final da Copa das Nações Africana, disputada em 2013 entre Burkina Faso e Nigéria, teve público de 85 mil pessoas. O maior clássico do futebol sul-africanos, Orlando Pirates x Kaizer Chiefs, costuma ter como palco o local.


O estádio que ficou conhecido mundialmente na Copa de 2010 como Soccer City hoje tem o nome oficial de FNB Stadium após venda dos naming rights ao maior banco da África do Sul. Administrado pela empresa Stadium Management South Africa, o estádio se sustenta basicamente pelos shows de artistas pop organizados no local. Quatro dias antes do jogo do Brasil, o guitarrista Carlos Santana tocou no Soccer City. O U2 levou 94.232 pessoas ao local em fevereiro de 2011, mas os públicos destes grandes eventos giram na casa das 60 mil pessoas.


Chama a atenção a boa conservação mesmo quatro anos depois de sua inauguração. Por outro lado, os problemas no acesso permanecem o mesmo. Assim como na Copa do Mundo de 2010, o sistema de bloqueios para limitar o acesso à área do estádio mais complicou do que facilitou a vida do torcedor. Um trajeto entre partes centrais de Johannesburgo e o local, geralmente feita em 20 minutos, chegou a durar 20 minutos de carro.


O trânsito pesado fez com que a partida tivesse início às 19h do horário local com as arquibancadas bem vazias. Muitos perderam no gol de Oscar marcado aos 9min do primeiro tempo. Um trem especial é ativado em dias de evento no Soccer City, mas o acesso ainda é feito preferencialmente por rodovias.


Considerado o maior legado da Copa de 2010, a rede de trens rápidos Gautrain não chega ao Soccer City. Desde o Mundial, o sistema foi ampliado com conexão à cidade de Pretória. Em 2010 a ligação era entre o aeroporto O.R. Tambo e regiões de Johannesburgo.

Elefantes-branco?


O exemplo do Soccer City não é isolado. Outros estádios utilizados na Copa de 2010 vivem situações parecidas ao longo do país. Os casos mais emblemáticos são o da Cidade do Cabo, que pode ser até demolido, e de Neslpruit.

Jornal Midiamax