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Japão analisa elo entre câncer de tireoide e radiação em Fukushima

Um estudo sobre o impacto das radiações da catástrofe de Fukushima revelou que 103 crianças e adolescentes da região, menores de 18 anos no momento do acidente, desenvolveram câncer de tireoide confirmado por cirurgia ou altamente provável, mas a relação com o desastre atômico ainda não foi confirmada. Um comitê de acompanhamento da saúde dos […]

Arquivo Publicado em 25/08/2014, às 14h32

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Um estudo sobre o impacto das radiações da catástrofe de Fukushima revelou que 103 crianças e adolescentes da região, menores de 18 anos no momento do acidente, desenvolveram câncer de tireoide confirmado por cirurgia ou altamente provável, mas a relação com o desastre atômico ainda não foi confirmada.


Um comitê de acompanhamento da saúde dos habitantes fez testes com cerca de 300.000 jovens da província de Fukushima (nordeste).


O número de casos de câncer confirmados após a cirurgia é de 57 atualmente. Os 46 casos restantes não são 100% seguros, mas a probabilidade é muito alta.


Outro adolescente foi operado, mas o nódulo extraído era benigno.


A proporção de crianças da província de Fukushima afetadas é, portanto, de 30 em cada 100.000, mas não existe uma base de referência para esta região, o que impede comprovar se ocorreu um aumento desde o acidente atômico de março de 2011.


Os especialistas designados pelas autoridades do governo tendem a pensar que estes casos de câncer não têm relação direta com o desastre.


“Dificilmente é possível estabelecer uma relação de causa e efeito, mas é necessário, no entanto, seguir com os exames porque a proporção de descoberta de tumores aumenta com a idade, também em tempo normal”, declarou o professor Shunichi Suzuki, da faculdade de medicina da cidade de Fukushima, na apresentação dos resultados, na tarde de domingo.


Esta opinião se baseia, entre outros, em dados comparativos, sobretudo com o caso da catástrofe de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia.


No entanto, os pais das crianças afetadas não conseguem evitar pensar que a causa é a exposição às radiações (e sobretudo ao iodo 131) nos primeiros dias após o acidente.


A tireoide é uma esponja de iodo (matéria-prima para a fabricação dos hormônios da tireoide), sobretudo nas crianças em crescimento. Por isso, esta glândula é particularmente vulnerável às emissões de iodo 131 radioativo em caso de acidente nuclear.


Assim, é recomendada a absorção de iodo estável com o objetivo de saciar e inclusive saturar de antemão a tireoide. Esta medida não foi aplicada no caso de Fukushima.


As autoridades japonesas decidiram há pouco tempo fornecer iodo estável aos habitantes mais próximos dos reatores que podem voltar à atividade em um futuro próximo, começando pelos chamados Sendai 1 e 2 no sudoeste.


Até o momento, o parque japonês de 48 unidades está parado (sem contar os seis de Fukushima Daiichi saqueados e condenados ao desmantelamento).

Jornal Midiamax