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Família contesta laudo e diz que clínica de luxo medicou jovem sem autorização antes da morte

O rapaz morreu em 21 de abril de 2013 e, desde então, parentes e amigos aguardam o encerramento do inquérito policial que investiga as circunstâncias da morte em clínica de luxa de Campo Grande.

Arquivo Publicado em 17/02/2014, às 12h25

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O rapaz morreu em 21 de abril de 2013 e, desde então, parentes e amigos aguardam o encerramento do inquérito policial que investiga as circunstâncias da morte em clínica de luxa de Campo Grande.

A família do jovem Rafael Guimarães de Oliveira, que morreu em 21 de abril de 2013, em uma clínica de luxo em Campo Grande, rebate o laudo pericial e diz que o hospital tem responsabilidade pela morte.


De acordo com o pai, Paulo Sérgio de Oliveira, o contrato que assinou com a Clínica Carandá comprova que o filho se internou como paciente voluntário e, por esse motivo não deveria ter sido medicado.


Oliveira afirma ainda que, se o laudo pericial constata que o filho morreu em virtude de ‘asfixia por bloqueio da traqueia’, a clínica teria descumprido cláusula contratual segundo a qual ele poderia sair a qualquer momento do local, caso desistisse da internação voluntária.


Parentes afirmam que a clínica teria tirado dele o direito de avaliar suas condições por causa do medicamento aplicado. “Conforme o contrato, a cláusula é bem clara que diz que ele poderia sair a hora que quisesse, mas como ele estava sob efeito de medicação, a droga tirou dele a condição de avaliar suas condições”, aponta Oliveira.


Segundo o pai, a clínica também teria cometido um erro grave porque, como paciente voluntário, Rafael não poderia ter recebido medicação. Para ele, a clínica agiu de “má-fé” e, no seu entendimento, se configura crime.


Outro ponto que o pai rebate é o laudo de que Rafael teria morrido asfixiado. Para Oliveira, se o filho se engasgou, é preciso saber de que forma isso aconteceu. “O delegado diz que ele morreu engasgado, mas até hoje ninguém me explicou de que forma e como aconteceu isso aconteceu com meu filho. Até hoje cobro explicações desse mistério que envolve a morte do Rafael”, indaga.


A família também fala da negligência no tratamento com o jovem, pois no dia 15 de abril, ele fugiu da clínica e só depois de 1 hora que Rafael estava fora é que avisaram o pai. De acordo com parentes, o jovem não queria voltar para a clínica porque não estavam realizando os exames, apenas recebia medicamentos.


Para o pai é um absurdo uma clínica de luxo como a Carandá não conseguir monitorar seus pacientes. “Ele me ligou e fui buscá-lo e após uma hora que estava comigo é que me ligaram e avisaram da fuga”, afirma o pai.


Conforme o pai, Rafael fugiu porque a clínica não estava cumprindo o que foi acordado no contrato. Caso o filho desistisse poderia sair a qualquer momento. “Ele fugiu porque só estavam drogando meu filho e ele não foi internado para receber tratamento e sim para fazer exames que seriam apresentados na clínica de desintoxicação para onde iria”, garante Oliveira.


Agora o que a família mais anseia é que todo o mistério que envolve a morte de Rafael seja esclarecido e os culpados sejam apontados. “Não é possível que tenham tantas divergências sobre o que causou a morte do meu filho, mas uma coisa tenho certeza é que a Clínica Carandá é a responsável por tudo que aconteceu com meu filho. O que quero é justiça e que os fatos sejam esclarecidos”, finaliza o pai.


A reportagem entrou em contato na últim asexta-feira (14), durante toda a manhã com a diretora da Clínica Carandá, Maria Teodorowic, mas por telefone a secretária sempre informava que ela estava com paciente e em seguida retornaria a ligação. Mas até o fechamento da matéria ela não respondeu o contato.

Jornal Midiamax