Exército israelense monta equipe para evitar acusações de crimes de guerra

O exército israelense organizou uma equipe que tem como missão recompilar informações e provas sobre a ofensiva contra o grupo islamita Hamas em Gaza, para se defender de eventuais acusações de crimes de guerra. De acordo com o jornal “Ha’aretz”, a equipe é liderada pelo chefe do Escritório de Planejamento do Exército israelense, Nimrod Sheffer, […]
| 03/08/2014
- 21:41
Exército israelense monta equipe para evitar acusações de crimes de guerra

O exército israelense organizou uma equipe que tem como missão recompilar informações e provas sobre a ofensiva contra o grupo islamita Hamas em Gaza, para se defender de eventuais acusações de crimes de guerra.

De acordo com o jornal “Ha’aretz”, a equipe é liderada pelo chefe do Escritório de Planejamento do Exército israelense, Nimrod Sheffer, e inclui membros da procuradoria Militar, do Comando Sul, da Divisão de Gaza e da Força Aérea.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU decidiu em 23 de julho criar uma comissão internacional para investigar as possíveis violações cometidas durante a ofensiva israelense em Gaza, que começou 15 antes, após cogitar que Israel poderia ter cometido crimes de guerra.

O exército e o executivo israelense acusam o Hamas de cometer crimes de guerra ao atacar de forma indiscriminada a população civil.

O trabalho da equipe buscará provas que testemunhem o uso da população civil como escudo humano por parte das facções armadas palestinas, em particular vídeos e documentação em poder da Força Aérea.

O exército israelense argumentou que civis morreram em várias ações em que não é possível esclarecer quem é o responsável.

Ele rejeitou as acusações de que as vítimas tenham sido alvo de fogo israelense em vários casos, como uma explosão no campo de refugiados de Shati ou no hospital Shifa, em Gaza.

Israel estuda analisar o planejamento de objetivos dentro da Força Aérea, que incluem cálculos de possível danos a edifícios vizinhos dos alvos dos ataques aéreos.

O jornal aliado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “Israel Hayom” informou da criação da equipe na sexta-feira, e revelou que será integrada também por funcionários dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa.

A nova equipe também reunirá provas sobre a atuação do Hamas durante os combates em Gaza durante a ofensiva.

Estes trabalhos preliminares pretendem antecipar uma possível investigação internacional como a que analisou a ofensiva de Israel em Gaza no início de 2009, ou o ataque israelense a uma pequena frota um ano depois quando pretendia chegar à costa de Gaza, e no qual morreram nove ativistas turcos.

A jurista israelense Talia Sasson, encarregada de formular um documento do governo que censurava a proliferação de enclaves judeus na Cisjordânia na década passada, ressaltou que uma vez acabada a campanha, Israel deveria criar uma comissão legal independente.

Convidada para um debate de analistas pelo “Canal 1” da televisão israelense, Sasson explicou que essa comissão deveria investigar do ponto de vista legal a atuação das tropas israelenses diante possíveis acusações em fóruns internacionais.

E assinalou que a comissão não deveria incluir o exército israelense, parte envolvida no conflito, mas organizações legais e de direitos humanos que trabalham de forma independente para esclarecer as alegações sobre violações dos direitos humanos.

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