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Ex-diretor da Petrobras diz que não participou da compra de refinaria

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras ouviu hoje (6) o ex-diretor da Área Internacional da empresa Jorge Luiz Zelada. Ele foi especialmente questionado sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que é um dos eixos de investigação da CPMI. Zelada disse que não participou da compra da refinaria e […]

Arquivo Publicado em 07/08/2014, às 00h33

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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras ouviu hoje (6) o ex-diretor da Área Internacional da empresa Jorge Luiz Zelada. Ele foi especialmente questionado sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que é um dos eixos de investigação da CPMI.

Zelada disse que não participou da compra da refinaria e que o resumo executivo usado como base pela diretoria da companhia para autorizar a compra já estava pronto quando ele se tornou diretor, em 2008.

“Quanto a Pasadena, a compra da segunda parte foi submetida ao conselho de administração no dia 3 de março de 2008, previamente aprovada pela diretoria executiva para submissão ao conselho na reunião de 21 de fevereiro. Eu não era diretor naquela ocasião. Por coincidência, essa reunião do dia 3 de março foi a mesma reunião que me nomeou diretor executivo da Petrobras. Então, esse resumo executivo já estava elaborado antes da minha entrada, em fevereiro”, disse.

Segundo Zelada, a decisão sobre a compra da refinaria acabou sendo adiada para a reunião de maio daquele ano, quando ele já era diretor, mas o resumo usado foi o mesmo, acrescido apenas de algumas informações referentes a mudanças de cenário no período entre março e maio. “No mais, pegar os dois resumos executivos – o feito em fevereiro e o feito em abril – para as duas reuniões, eles têm exatamente o mesmo teor, a mesma redação. É exatamente o mesmo documento”, completou.

O ex-diretor da Petrobras também deu explicações sobre o contrato firmado pela companhia com a Construtora Odebrecht para obras nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde em projetos no exterior. Era o chamado contrato de SMS. De acordo com Zelada, a construtora foi contratada por meio de licitação porque ofereceu o menor preço. O contrato previa o pagamento pelos serviços que fossem executados, embora houvesse previsão de um valor total referente a todos os projetos internacionais da Petrobras.

“A estimativa do contrato tem um determinado valor, mas, desde o início, já se previa que só se pagaria aquilo que fosse executado, não se pagaria aquela estimativa do contrato. Por que isso? Porque já vinha se discutindo ‘desinvestimento’ em alguns países, em algumas unidades, ou seja, serviços que foram levantados e não seriam feitos. Outros serviços poderiam entrar numa condição emergencial e assim ser tratados, então, não haveria necessidade de fazer posteriormente. Não é, como tem sido noticiado, um contrato de preço global”, disse ele.

O depoimento de Zelada durou menos de três horas, foi bem menor que a média dos anteriores, em torno de cinco a seis horas. Um dos motivos é que, ao mesmo tempo, estava ocorrendo a reunião de instalação da CPMI do Metrô de São Paulo, o que dividiu os parlamentares e reduziu o número de perguntas a Zelada.

Ao fim, o relator da CPMI da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que irá confrontar as informações prestadas por Zelada com os documentos aos quais a comissão teve acesso. Questionado, Maia disse não acreditar que as denúncias envolvendo a CPI da Petrobras no Senado possam contaminar os trabalhos da CPMI que ele está relatando.

As denúncias sobre a CPI do Senado dão conta de que os atuais e ex-dirigentes da Petrobras que foram interrogados tiveram acesso prévio às perguntas que seriam feitas e foram orientados sobre as respostas que deveriam dar. Na opinião de Maia não há risco de isso acontecer na CPMI.

“A pessoa que faz as perguntas é da minha inteira confiança, a pessoa que está trabalhando neste processo está sediada na Câmara dos Deputados, portanto, não tem nenhuma vinculação com o Senado ou com as pessoas que fazem as perguntas, os questionamentos para o Senado. Não são as mesmas pessoas. Mas, como temos duas CPIs com conteúdos idênticos, ouvindo as mesmas pessoas, é natural que haja questionamentos semelhantes. Não há duas formas de perguntar”, afirmou.

Jornal Midiamax