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EUA defendem sua decisão de trocar soldado por cinco talibãs

O governo de Barack Obama defendeu neste domingo sua decisão de permitir que cinco talibãs afegãos detidos na base de Guantánamo fossem transferidos para o Qatar em troca da libertação de um soldado americano no Afeganistão, alegando que a saúde do militar estava em risco. Legisladores da oposição republicana criticaram violentamente a medida adotada para […]

Arquivo Publicado em 01/06/2014, às 17h18

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O governo de Barack Obama defendeu neste domingo sua decisão de permitir que cinco talibãs afegãos detidos na base de Guantánamo fossem transferidos para o Qatar em troca da libertação de um soldado americano no Afeganistão, alegando que a saúde do militar estava em risco.


Legisladores da oposição republicana criticaram violentamente a medida adotada para facilitar a libertação do sargento Bowe Bergdahl, capturado há quase cinco anos, afirmando que isso abre um precedente ruim e coloca em perigo os soldados americanos no Afeganistão.


Alguns assinalaram, inclusive, que o governo pode ter infringido a lei ao não notificar o Congresso 30 dias antes de que os detidos de Guantánamo seriam libertados e transferidos.


A assessora de segurança nacional de Obama, Susan Rice, justificou a decisão do Executivo ao afirmar que a saúde de Bergdahl estava se deteriorando e não restava outra opção senão libertar os afegãos para conseguir a volta do soldado de 28 anos para casa.


“Quando estamos em guerra com terroristas e os terroristas mantêm preso um americano, esse prisioneiro ou prisioneira continua sendo um militar americano e temos a obrigação de conseguir seu regresso”, afirmou Rice à CNN.


“O fato de que foram talibãs que tornaram Bergdahl cativo não diminuía esta obrigação de trazê-lo de volta”, acrescentou.


“Não negociamos com terroristas”, afirmou, por sua vez, o secretário de Defesa Chuck Hagel, falando na base aérea de Bagram, no Afeganistão. “Bergdahl provavelmente viveu um inferno durante cinco anos”, declarou à NBC.


“O militar perdeu muito peso e estávamos muito preocupados. (…) Devíamos agir assim que se apresentasse a oportunidade”, assinalou ainda Rice.


Quanto à notificação ao Congresso, a assessora comentou que extrema urgência em agir em função do estado de saúde do jovem soldado fez com que não se considerasse necessário ater-se a este requisito.


Esperar 30 dias pela resposta do Congresso “teria significado a possibilidade de perder a oportunidade de trazê-lo de volta são e salvo”, enfatizou.


Rice negou-se a fornecer detalhes sobre as medidas de segurança acertadas com o Qatar, que mediou a troca, a respeito dos cinco talibãs afegãos, limitando-se a assinalar que seus movimentos e atividades serão restritos.


Após deixarem Guantánamo, os ex-líderes deverão permanecer por pelo menos um ano no Qatar.


O secretário de Defesa também disse esperar que a libertação do sargento Bergdahl permita uma “nova abertura” para negociações com o Talibã.


Hagel lembrou que os Estados Unidos iniciaram no passado negociações com os talibãs, que terminaram em 2012.


“Eles romperam as negociações, e desde então não temos nenhuma relação formal”, disse ele.


“Então, talvez essa seja a oportunidade para uma nova abertura que possa levar a um acordo”, acrescentou.


Os cinco ex-dirigentes do Talibã, considerados ainda influentes dentro da rebelião, foram libertados depois de uma troca com o sargento Bergdahl, capturado pelos rebeldes em 30 de junho de 2009 na província de Paktika (sudeste).


O soldado, que foi levado primeiramente para a base de Bagram, ao norte de Cabul, está em “bom estado de saúde” e já foi transferido para um hospital militar americano em Landstuhl, na Alemanha, segundo as autoridades americanas.


Imprescindível nesta negociação, o Qatar está comprometido há anos nos esforços de reconciliação entre rebeldes islâmicos e o governo em Cabul.


O líder supremo do Talibã afegão, o mulá Omar, saudou neste domingo a libertação dos cinco ex-líderes do regime talibã e agradeceu à colaboração do Qatar.


“Transmito os meus sinceros parabéns à nação muçulmana afegã, a todos os combatentes de Deus e às famílias e amigos dos prisioneiros por esta grande vitória”, declarou o mulá Omar em um comunicado.


“Agradeço ao governo do Qatar, e particularmente ao xeque Tamim Bin Hamad Al Thani (emir do Qatar), por seus esforços para obter a libertação desses líderes (do Talibã), por meio de mediação e pela acolhida reservada aos cinco ex-prisioneiros de Guantánamo”, acrescentou o chefe do Talibã.

Jornal Midiamax