Nas últimas Copas do Mundo, a seleção brasileira se acostumou a ter muito mais jogadores convocados que atuam fora do Brasil do que em clubes nacionais. Neste Mundial, são apenas quatro atletas que jogam o Campeonato Brasileiro (Jefferson, do Botafogo; Victor e Jô, do Atlético-MG, e Fred, do Fluminense). Se comparado à última Copa, em 2010, é um atleta a mais do que convocou o técnico Dunga. Porém, o que mais impressiona nesta convocação atual é a presença maciça de atletas que saíram sem quase nenhuma identidade com equipes brasileiras e foram fazer carreira na Europa.

Nomes que hoje são unanimidades no futebol brasileiro, como Daniel Alves, David Luiz, Luiz Gustavo e Hulk, tiveram passagens relâmpagos por clubes do País e ganharam notoriedade apenas no exterior. Esta situação gerou, inclusive, um problema para o técnico Luiz Felipe Scolari no começo da caminhada que acabou no título da Copa das Confederações de 2013. Na ocasião, a torcida implicou com Hulk e pedia a presença do atacante Lucas, recem-saído do São Paulo na época. O atacante do Zenit foi ganhado confiança e acabou conquistando os brasileiros ao longo do trajeto.

Outro número impressionante é que dos 11 titulares, sete estão há mais de cinco anos atuando no futebol estrangeiro. O goleiro Júlio César e Daniel Alves, por exemplo, estão há cerca de dez anos jogando fora do País. Apesar disso, a comissão técnica da Seleção Brasileira não crê que essa falta de proximidade com a torcida brasileira prejudicará os atletas da Seleção.

“É positivo que eles joguem um futebol de alto nível, em campeonatos muito organizados, contra diferentes escolas, contra jogadores de alto nível quase todo fim de semana. Quando eles vêm (para a Seleção), são jogadores brasileiros. Eles não perdem a característica da qualidade técnica, da improvisação, do gostar da bola. O Felipão só tem que acoplar o sentido de equipe”, disse Carlos Alberto Parreira, coordenador técnico da Seleção.

“A partir do momento que nasceu no Brasil, que tem a sua família aqui, teu seu vínculo, tiveram seu começo aqui. Não deixaram de jogar numa equipe sem expressão, numa equipe de base para depois sair. Eles têm esse vinculo”, completou o auxiliar técnico Flavio Murtosa. De acordo com Murtosa, a saída de jovens para os clubes europeus é uma realidade que tem que ser vista com naturalidade.

“Quem são as grandes revelações do Campeonato Brasileiro do ano passado? É muito pouco hoje jogador que é feito no Brasil. A maioria está saindo muito nova do Brasil”, afirmou o auxiliar técnico de Felipão.

Confira jogadores da seleção que saíram jovens do Brasil e ganharam notoriedade no exterior:

Daniel Alves – jogou dois anos no Bahia, porém saiu com apenas 20 anos para despontar na carreira no futebol espanhol, atuando por Sevilla e Barcelona

Marcelo – apesar de ter uma identidade com o Fluminense, por conta do sucesso desde as categorias de base, Marcelo fez poucos jogos no time tricolor. Apontado como melhor lateral do Brasil em 2006, ele se transferiu com apenas 18 anos para o Real Madrid, onde joga desde 2007.

Maxwell – com 19 anos foi campeão da Copa do Brasil com o Cruzeiro, mas menos de um ano depois de assumir a posição de titular do clube celeste já estava jogando no Ajax. Além do clube holandês, jogou no Empoli, Inter de Milão, Barcelona, até chegar ao Paris Saint-Germain.

David Luiz – com menos de 30 jogos profissionais pelo Vitória, o zagueiro foi para o Benfica com 20 anos. No clube português chamou a atenção da seleção brasileira e dos grandes clubes europeus, indo parar no Chelsea. Após três temporadas no time inglês, virou o zagueiro mais caro do mundo se transferindo para o Chelsea.

Dante – jogou dois anos no Juventude e passou pelo futebol francês e belga, porém foi no Borussia Monchengladbach que o zagueiro ganhou destaque internacional, conseguindo se transferir para o Bayern de Munique e ganhando oportunidades na Seleção Brasileira.

Luiz Gustavo – no Brasil, o volante atuou por poucas partidas como profissional no Corinthians Alagoano e CRB. Fez praticamente toda sua carreira no futebol alemão, onde se destacou no Hoffenheim e chamou a atenção do Bayern de Munique. Atualmente joga no Wolfsburg.

Willian – com apenas um ano de profissional pelo Corinthians, Willian se transferiu para o Shakhtar Donetsk aos 19 anos. Permaneceu no futebol ucraniano por seis temporadas. Após rápida passagem pelo Anzhi, da Rússia, acertou sua saída para o Chelsea.

Hulk – após apenas dois jogos como titular pelo Vitória, o atacante se transferiu para o futebol japonês, onde atuou pelo Kawasaki Frontale, Consadole Sapporo e Tokyo Verdy. O sucesso na Ásia fez ele acertar a mudança para o Porto, onde virou ídolo da equipe portuguesa. Desde 2012, está no Zenir da Rússia.