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Erdogan se prepara para assumir presidência turca

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, prepara-se para levar a Turquia a uma nova era quando assumir o cargo de presidente, em duas semanas, depois de vencer, neste domingo, as eleições, consideradas históricas. Erdogan prometeu construir uma nova Turquia e reconciliar um país dividido, a partir do balcão da sede de seu partido em Ancara, […]

Arquivo Publicado em 11/08/2014, às 13h46

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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, prepara-se para levar a Turquia a uma nova era quando assumir o cargo de presidente, em duas semanas, depois de vencer, neste domingo, as eleições, consideradas históricas.


Erdogan prometeu construir uma nova Turquia e reconciliar um país dividido, a partir do balcão da sede de seu partido em Ancara, onde fez o discurso de vitória à meia-noite diante de dezenas de milhares de simpatizantes.


Erdogan é primeiro-ministro da Turquia há 11 anos, um período no qual tentou modernizar o país e assumir um maior protagonismo na comunidade internacional. Agora tem a possibilidade de servir por dois mandatos presidenciais de cinco anos, o que o deixaria no poder até 2024.


As eleições de domingo foram as primeiras por voto universal direto na história da Turquia – os chefes de Estado anteriores eram eleitos pelo Parlamento – e Erdogan prometeu que será o “presidente do povo”.


“O povo turco fez história ontem”, afirma o jornal pró-Erdogan Sabah, com uma fotografia do novo presidente durante o discurso da vitória, com a mão no coração.


Ele tomará posse como presidente no dia 28 de agosto e as atenções se voltarão para quem o substituir como primeiro-ministro e representará o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), islamita-conservador, nas legislativas de 2015.


O futuro do presidente em fim de mandato, Abdullah Gul, co-fundador do AKP junto a Erdogan, que se distanciou do primeiro-ministro e mantém o silêncio sobre seus planos, também será seguido de perto.


Entramos em uma nova era


A vitória de Erdogan não foi tão esmagadora quanto previam as pesquisas, mas ele conseguiu se impor no primeiro turno contra seu principal rival, Ekmeleddin Ihsanoglu.


Erdogan conquistou 51,46% dos votos, Ihsanoglu 38,46% e o terceiro candidato, o curdo Selahattin Demirtas, 9,80%, segundo os resultados com base na apuração quase definitiva.


A participação foi de 73,68%, um número que em muitos países seria considerado alto, mas que fica muito abaixo dos 89% alcançados nas eleições locais turcas de março.


As vozes críticas lamentaram que a campanha tenha sido muito tendenciosa a favor de Erdogan, cuja propaganda eleitoral dominou as televisões e os cartazes de publicidade nos dias anteriores à votação.


“Erdogan se converteu no primeiro presidente diretamente eleito pelo povo, depois de um processo eleitoral injusto”, destacou o jornal fortemente secular Cumhuriyet.


Os observadores da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) afirmaram em um comunicado nesta segunda-feira que tanto Erdogan quanto seus dois adversários puderam desenvolver sua campanha eleitoral livremente, embora também tenham afirmado que “o uso que o primeiro-ministro fez de sua posição oficial, unido a uma cobertura midiática partidarista, lhe deram uma grande vantagem sobre os outros candidatos”.


Milhares de turcos tomaram as ruas de Istambul, tocando as buzinas de seus carros e agitando as bandeiras turcas para celebrar a vitória de Erdogan. Em Ancara foram lançados fogos de artifício.


No discurso da vitória, Erdogan passou uma mensagem de reconciliação, após uma campanha por vezes dura.


“Fechamos hoje uma era e entramos em uma nova”, disse, prometendo ser “o presidente dos 77 milhões de turcos” e esquecendo as disputas do passado.


Erdogan superará o tempo no poder de Mustafa Kemal Atatuk, fundador do Estado turco em 1923.

Jornal Midiamax