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Energia gerada por usina de Belo Monte não impedirá apagão, dizem analistas

A construção da primeira linha de transmissão energética da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, não será capaz de evitar apagões futuros, apesar da promessa de aumentar o abastecimento de energia do Sudeste. A opinião é de analistas do setor de energia. O consórcio IE Belo Monte, formado pela chinesa State Grid, por Furnas e […]

Arquivo Publicado em 07/02/2014, às 15h04

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A construção da primeira linha de transmissão energética da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, não será capaz de evitar apagões futuros, apesar da promessa de aumentar o abastecimento de energia do Sudeste. A opinião é de analistas do setor de energia.

O consórcio IE Belo Monte, formado pela chinesa State Grid, por Furnas e Eletronorte (as duas últimas subsidiárias da Eletrobras), venceu o leilão de concessão da linha, com proposta de receber receita anual de R$ 434.647.038.

Essa linha de transmissão terá 2.100 quilômetros e vai ligar Xingu (PA) e Estreito (MG), levando a energia do Norte ao Sudeste.

Apesar do reforço no abastecimento, a falta de infraestrutura do setor energético e o consumo exagerado podem frustrar os planos de melhora, segundo os analistas consultados.

“No Brasil, as quedas de energia acontecem mais por curto-circuitos, causados pela falta de manutenção das estações de energia, do que por aumento no consumo “, diz Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Segundo Rosa, embora a capacidade energética de Belo Monte seja considerada alta, com potência máxima de 11 mil MW por ano, ainda não garante a suficiência energética do Sudeste. Para comparar, a usina de Itaipu, que é a maior em capacidade energética do país, atinge até 14 mil MW ao ano.

Para Gilberto de Martino Jannuzzi, ex-coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp, a construção da linha de transmissão de Belo Monte é necessária, embora não suficiente para garantir abastecimento de energia sem risco de apagões no Sudeste.

Para Jannuzzi, o governo e a iniciativa privada deveriam investir em ações para diminuir o consumo energético.

“O centro de maior consumo está no Sudeste e realmente é necessário que se transporte mais energia para lá. Mas somente as linhas de transmissão não resolvem o problema do desabastecimento. Mudar o padrão de consumo seria importante, já que ainda construímos casas e prédios que dependem exclusivamente de ar-condicionado”, diz.

Apagão atingiu 11 Estados e deixou 6 milhões sem luz

Na terça-feira (4), um apagão atingiu 11 Estados, e deixou 6 milhões de pessoas sem energia nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste. Mas não está descartado que a falha tenha sido provocada por um raio que tenha atingido uma das linhas afetadas, no Estado do Tocantins, segundo Hermes Chipp, diretor-geral do ONS.

Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), houve defeito em duas linhas de transmissão da interligação Norte-Sudeste, que causaram a queda de energia. Mas
No mesmo dia, o Sudeste atingiu pico de consumo de energia, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). No entanto, o governo não confirma que a queda energética tenha relação com o consumo.

Jornal Midiamax