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Dilma: não perceber importância da Copa para o país é “visão pequena”

A presidente Dilma Rousseff negou, nesta terça-feira, 28, ter convocado uma reunião para os próximos dias com a finalidade de tratar dos protestos populares que poderão ocorrer durante a Copa do Mundo. “O Brasil tem maturidade democrática, isso ninguém tira de nós”, afirmou a presidente ao destacar que o governo federal sempre cooperará com os […]

Arquivo Publicado em 28/01/2014, às 23h08

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A presidente Dilma Rousseff negou, nesta terça-feira, 28, ter convocado uma reunião para os próximos dias com a finalidade de tratar dos protestos populares que poderão ocorrer durante a Copa do Mundo.


“O Brasil tem maturidade democrática, isso ninguém tira de nós”, afirmou a presidente ao destacar que o governo federal sempre cooperará com os Estados em ações de segurança pública. Dilma está em Havana, onde participa da reunião de cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).


Ela voltou a condenar atos de violência e vandalismo, durante protestos e manifestações, e argumentou que o Brasil tomou várias medidas para sediar a Copa do Mundo. No sábado, 25, atos em várias cidades do país questionaram a realização da Copa no Brasil. Em São Paulo, houve quebra-quebra, confronto com a polícia e um jovem foi baleado.


Dilma declarou que se trata de “uma visão pequena não perceber a importância da Copa para o país.”


“O principal investimento da Copa do Mundo está em infraestrutura”, declarou Dilma, acrescentando que o evento deve transmitir uma mensagem de paz. “Gastos em mobilidade urbana no país são para além da Copa”, afirmou ao exaltar o legado para o país com a realização do mundial.


Escala em Portugal


Durante a entrevista, a presidente fez uma defesa pública da escala feita por sua comitiva em Portugal, em trânsito entre Suíça e Cuba, após o governo ter se manifestado em diversas frentes sobre as críticas quanto aos gastos e a transparência do caso.


Dilma reafirmou a decisão técnica da Aeronáutica por uma escala em Lisboa — a outra opção seria parar nos Estados Unidos, onde foi detectada uma nevasca — e destacou que cada pessoa da comitiva pagou suas despesas com alimentação.


“Eu posso escolher o restaurante que eu vou, porque eu pago minha conta”, disse a presidente. “Todos os ministros e as pessoas que jantam comigo têm que pagar sua conta. O Brasil é um país democrático, não tem a menor condição de eu usar o cartão corporativo e misturar o que é consumo público com privado. Eu não faço isso.”


Couraça


Questionada se as críticas ao episódio podem atingir sua imagem de austeridade, a presidente afirmou que “não olha o que tem por trás” das críticas. “Meu couro ficou duro, eu suporto”, disse.


Porto cubano


Dilma também rebateu as críticas feitas ao auxílio brasileiro na construção do porto de Mariel, a cerca de 45 km de Havana, e enfatizou que o governo tem investido também na infraestrutura do Brasil. Dilma avaliou que Cuba está em “uma fase muito importante”, em um processo de transição no qual o Brasil aposta.


“Não significa que não investimos em infraestrutura no Brasil”, disse Dilma após enumerar ganhos para a região com o porto construído pela brasileira Odebrecht, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e operação da PSA, de Cingapura.


A defesa de Dilma ao investimento no porto de Mariel foi feita logo após a presidente destacar a importância da integração dos países da América Latina e Caribe, que integram a Celac, cujos representantes estão em Havana para encontro de cúpula. “Há 33 países aqui em Cuba reconhecendo a presidência de Cuba na Celac”, disse a presidente, acrescentando que não existe integração na América Latina “incompleta”.


Dilma reafirmou o interesse do Brasil em firmar parcerias com Cuba e que “ninguém” pode “diminuir” o potencial mercado consumidor que a América Latina e o Caribe representam.

Jornal Midiamax