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Deposto da presidência, Yanukovich é procurado por “assassinato em massa” na Ucrânia

Dois dias após ter sido destituído da presidência da Ucrânia pelo parlamento, Viktor Yanukovich está sendo procurado pela Justiça do país pelo “assassinato em massa de civis”. Conforme anunciado pelo Ministério do Interior ucraniano, há uma ordem de busca e captura contra o ex-chefe de Estado. “Foi aberto um processo penal por assassinato em massa […]

Arquivo Publicado em 24/02/2014, às 13h16

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Dois dias após ter sido destituído da presidência da Ucrânia pelo parlamento, Viktor Yanukovich está sendo procurado pela Justiça do país pelo “assassinato em massa de civis”. Conforme anunciado pelo Ministério do Interior ucraniano, há uma ordem de busca e captura contra o ex-chefe de Estado.


“Foi aberto um processo penal por assassinato em massa de cidadãos pacíficos. Yanukovich e outros funcionários de alto escalão estão em busca e captura”, escreveu no Facebook o titular da pasta, Asden Avakov.


A ordem judicial não fixa especificamente quais foram os delitos do ex-presidente, mas deve referir-se aos recentes e violentos conflitos entre manifestantes antigoverno e forças de segurança nas imediações da Praça da Independência — a Maidan —, no centro de Kiev. Pelo menos 82 pessoas foram mortas na última semana, período em que o país assistiu ao recrudescimento dos embates. A oposição acusa autoridades governamentais de usar fraco-atiradores contra civis desarmados.


O paradeiro de Yanukovich é incerto; ele foi visto pela última vez em sua residência na Crimeia, região sul do país. As autoridades desmentiram os boatos de que o ex-presidente tivesse sido capturado ou que possuísse planos de fugir da Ucrânia por via marítima.


Antes de deixar a capital Kiev, Yanukovich denunciou que sofreu um golpe de Estado, e não uma revolução empreendida pelo povo. Em uma declaração oficial emitida após a deposição, sua própria legenda, o Partido das Regiões, o culpou pela morte de civis na última semana.

Ucrânia quer US$ 35 bilhões


Sob o comando do presidente interino, Oleksander Turchinov — que prometeu priorizar a integração com a Europa —, as novas autoridades da Ucrânia anunciaram hoje que vão precisar de US$ 35 bilhões até o final do próximo ano para estabilizar a situação econômica do país.


“Nestes últimos dois dias, realizamos consultas com os embaixadores de União Europeia, EUA e outros países, assim como com organizações financeiras internacionais, para que a Ucrânia possa receber ajuda financeira”, declarou o vice-ministro de Finanças ucraniano interino, Yuri Kolobov. Ele acrescentou ainda que Kiev propõe a realização de uma grande conferência internacional de doadores para ajudar na modernização e nas reformas da economia ucraniana.

Golpe da ultradireita


Para entender o que está acontecendo na ex-república soviética, Opera Mundi conversou com Solange Reis, coordenadora do Opeu (Observatório Político dos EUA). Segundo ela, o que está em curso no país não é um levante popular, e sim um golpe da ultradireita, fomentado pelas potências ocidentais.


“O que está acontecendo na Ucrânia é uma clara derrubada do governo com ajuda externa”, disse. De acordo com a especialista, a “tendência é olhar isso como uma manifestação popular para mudança de um regime. No entanto, as forças políticas de extrema-direita que participam nas manifestações têm forte influência de potência ocidentais, sobretudo União Europeia e EUA”.

Jornal Midiamax