Com as eleições chegando, os candidatos fazem o que for para serem lembrados. Apelidos, slogan, motes de campanha… Vale quase tudo. Um dos grandes recursos usados pelos candidatos, e que para muitos pode ser bem chato, mas funciona, são os jingles de campanha.

Grudento, chamativos, um verdadeiro ‘chiclete, os jingles chamam a atenção e cumprem seu papel: fazer o eleitor gravar o nome e o número do candidato. Muitos vão dizer que detestam os jingles, mas quem já não se viu cantando um em época de eleição?

A dona de casa Nelma Vitor, de 33 anos, confessa que quando vê já sabe o jingle de cor. E diferentemente de muitos, diz gostar da cantoria. “Faz barulho, dá movimento. E ainda ajuda a memorizar o nome e o número”, afirma.

Já o empresário Kenio Beistoti, de 42 anos, discorda, e diz que os jingles são péssimos e não servem para nada. “Não me lembro de nenhum. E quando acaba as eleições faço questão de esquecer todos. É igual propaganda de mercado de bairro, muito chata”, diz.

O militar Alberto Bortoluzzi, de 48 anos, emenda e diz que para ele tanto faz, pois está interessado em propostas. “A música não me incomoda o que incomoda é a falta de honestidade dos políticos por aí”, afirma.

O fato é que independentemente da opinião, a ideia do jingle é fazer com que as pessoas fiquem com a ‘musiquinha’ grudada na cabeça, e com ela, gravar o nome e o número do candidato.

Músico e proprietário de uma agência especializada em jingles, Márcio de Camillo, que no início de sua carreira fez jingles para, praticamente, todos os candidatos de Mato Grosso do Sul, conta que os jingles tem uma fórmula a ser seguida.

De sua empresa saíram criações para a campanha de Zeca do PT (em 2004), André, Reinaldo Azambuja, Dagoberto, Marisa (em 2004), Nelsinho (em 2002), e muitos outros. Ele conta, inclusive, que em um mesmo ano fez campanha para todos os candidatos que concorriam à prefeitura. “Não misturo as coisas. Se contratam a minha empresa vou fazer o melhor para cada um deles”, diz.

Sobre a fórmula mágica de fazer o jingle não sair da cabeça, ele explica que o jingle segue uma orientação de acordo com o produto. “Se for para por um nome, uma marca, você enfatiza isso. No caso de jingle político tem que enfatizar o nome do candidato e o número, que são os itens que têm que estar sendo lembrado pelo público que estará ouvindo a mensagem”, conta.

Uma curiosidade a respeito dos jingles é que diferentemente da música, a questão autoral pouco importa. Márcio conta que em sua agência, por exemplo, diversos profissionais trabalham em conjunto e quem assina é a empresa. “O jingle não tem um autor. O objetivo não é autoria e sim o produto. Tanto faz se um jingle político ou de uma empresa qualquer”, explica.

Jingle da campanha de Jánio Quadros é considerdo um dos clássicos do gênero.