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Comentário de servidor público em MS contra cotas raciais causa revolta no Facebook

O comentário de um homem que se identifica como servidor público da cidade de Amambai, distante 342 quilômetros de Campo Grande, revoltou várias pessoas neste sábado (1°) no Facebook.  O homem, que seria funcionário da Prefeitura Municipal de Amambai, comentou uma matéria de um site de notícias dizendo que “NEGRO BURRO TEM QUE CARPI TERRENO E […]

Arquivo Publicado em 01/03/2014, às 12h54

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O comentário de um homem que se identifica como servidor público da cidade de Amambai, distante 342 quilômetros de Campo Grande, revoltou várias pessoas neste sábado (1°) no Facebook. 

O homem, que seria funcionário da Prefeitura Municipal de Amambai, comentou uma matéria de um site de notícias dizendo que “NEGRO BURRO TEM QUE CARPI TERRENO E INDIO TAMBM…BCO BURRO TEM QUE TA JUNTO … QUEM MANDO NÃO ESTUDA (sic)”.

Um internauta marcou vários indígenas que conhecia logo abaixo do comentário, que gerou revolta entre índios e não índios.

O advogado Luiz Henrique Eloy Amado comentou: “Comentário preconceituoso: Afirma que “índio e negro são burros e tem que carpir terreno”. Essa é a afirmação do servidor público de Amambai”.

Marcos Vinicius Campelo Junior  disse logo abaixo “Não pode deixar passar. Processo no racista!” e foi seguido por outros internautas, que classificaram o comentário como racista e preconceituoso.

O advogado afirmou que vai entrar com uma representação contra o servidor no Ministério Público Federal na quarta-feira (5), em Dourados.

A ação será baseada na lei 7.716, que pune com crime de reclusão de um a três anos e multa quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Se o crime é cometido por meio de redes sociais, a pena é de dois a cinco anos de reclusão e multa.

A matéria trata sobre um projeto de lei da Assembleia Legislativa que prevê 10% das de concursos públicos para negros e 3% para índios em Mato Grosso do Sul, segundo Estado do Brasil com a maior população indígena.

A lei 3.594, que reserva vagas para negros, está em vigor desde 2008 e a lei 3.939, que reserva vagas para índios, vigora desde 2010.

De acordo com a pesquisa de emprego do IBGE divulgada em janeiro deste ano, os trabalhadores negros ganharam no ano passado, em média, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos funcionários de cor branca. A média salarial era de R$ 1.374,79 para os negros e de R$ 2.396,74 para os de cor branca.

A intenção das leis é contribuir para a inserção dos indígenas no mercado de trabalho. Muitos sofrem discriminação, têm dificuldade para conseguir bons empregos e dependem de cestas básicas distribuídas pelo governo.

O servidor não foi encontrado pela reportagem para explicar o comentário.

Jornal Midiamax