Com nódulos no seio esquerdo e nos braços, a doméstica Marlene Dionízio de Oliveira, de 48 anos, está desde outubro do ano passado em busca de atendimento para saber o que tem. O posto de saúde das Moreninhas, bairro onde mora, afirma que não há vagas para consultas com ginecologista e nem para fazer o exame de mamografia.

Com fortes dores, ela procurou um ginecologista, que pediu o exame. Final de outubro ela afirma ter conseguido, mas deu resultado inválido. “Só foram me ligar que tinha que repetir o exame muito tempo depois. Desde então não consegui mais pelo SUS e tive que fazer pelo particular agora dia 08”, afirmou Marlene, que desembolsou R$ 105 pela tabela social.

Desde então, ela não consegue marcar consulta com um ginecologista para pedir o encaminhamento para um mastologista e finalmente poder se tratar. “Vou no posto e eles mandam voltar amanhã. Estou faltando o trabalho para ficar na fila do posto, porque marcar pelo telefone não funciona, nunca consegui. Tenho muita dor”, lamentou.

Além de ter que recorrer à rede privada, Marlene ainda conta que no Posto do Tiradentes, onde fez o exame que deu inválido, perderam todos os exames anteriores que ela havia apresentado. “Aí eu ligo perguntando se acharam meus exames e eles até desligam na minha cara”, criticou.

Há dez anos, Marlene teve o mesmo problema. Precisou fazer biópsia e punção. Agora luta contra o tempo, já que os nódulos estão se espalhando e inchando.

Cirurgia

A irmã de Marlene também não consegue atendimento no CRM das Moreninhas. Maria Aparecida de Oliveira, de 57 anos, tenta há mais de uma semana conseguir consulta com clínico geral para pegar remédios da pressão, que já estão no fim.

Além disso, ela está afastada do serviço decorrente de uma bursite e tendinite no ombro direito e com um pedido de cirurgia devido a um estiramento para marcar desde setembro. “A Sesau [Secretaria Municipal de Saúde] ficou de me ligar falando a data e até hoje nada. Eu ligo várias vezes e também não tem vaga, isso porque eu fiquei dois anos para conseguir a ressonância para comprovar a necessidade da cirurgia”, reclamou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da prefeitura, mas não obteve resposta do tempo médio de espera para as consultas com clínico geral e ginecologista, nem mesmo a quantidade de pessoas na fila de espera para a mamografia e cirurgia de ombro.