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#CGR115: Na UFMS, Autocine era desculpa para casais namorarem dentro do carro

Ao ar livre, o espectador assistia ao filme escolhido no conforto de seu próprio carro. Essa era a realidade do Autocine, que funcionava na década de 70 na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Ainda hoje, é possível ver a estrutura antiga no campus da instituição, mas desativada em 1989. Assim que foi […]

Arquivo Publicado em 28/08/2014, às 15h15

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Ao ar livre, o espectador assistia ao filme escolhido no conforto de seu próprio carro. Essa era a realidade do Autocine, que funcionava na década de 70 na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Ainda hoje, é possível ver a estrutura antiga no campus da instituição, mas desativada em 1989.

Assim que foi criado, em 1972, o cinema somente funcionava dentro da universidade, mas pertencia à Rede Pedutti, que escolhia os filmes e contratava os funcionários. Conforme explica a funcionária pública Flaviana Miranda, de 35 anos, que elaborou um trabalho sobre os cinemas, a parceira acabou em 1983.

“A partir daquele ano, a administração passou a ser da UFMS, que designou um funcionário do quadro pessoal para administrar o cinema”.

Com sessões diárias e ingressos na média de R$ 5, o Autocine reunia diversas pessoas, entre casais de namorados, que escolhiam o local justamente pela privacidade proporcionada pelo escurinho.

A sala de projeção ficava no meio da pista e projetava as imagens dos filmes no telão de concreto e cada carro recebia uma caixa de som na entrada e estacionava do lado de um amplificador de som.

O jornalista e cineasta Cândido Alberto da Fonseca se lembra bem da história do cine. Assim que a empresa passou a administração para UFMS, o jornalista foi chamado para trabalhar como programador do Auto Cine.

Ele trabalhou de 1980 a 1987 e conta que, após procurar distribuidoras no interior de São Paulo (SP), resolveu investir nos cinemas de arte. “Achava estranho esses tipos de filme não chegar por aqui”.

O jornalista lembra que na época os cines Alhambra, Santa Helena e Jalisco ‘programavam’ a vida cultural de Campo Grande. “Escolhia para o Autocine filmes que nunca tinham passado aqui”.

Para as sessões diárias, eram escolhidos filmes diferenciados e os comerciais não tinham muito espaço na programação. “Trazia filmes sobre literatura e política no cinema, programava ciclo de atores e autores bons”.

De 1987, quando deixou de trabalhar, até o fechamento, o Autocine ganhou outro programador, que investia em filmes comerciais.

No cinema ao ar livre cabiam 128 carros e contava, ainda, com uma arquibancada que acomodava as pessoas que chagavam a pé. No livro Sala dos Sonhos, as jornalistas Marinete Pinheiro e Neide Fischer explicam a maneira de captação de som no cinema. “Para o público ouvir os diálogos, na portaria o motorista recebia um alto-falante e conectava-os nos ‘chapéus’, uma espécie de poste com fiação para saída de som”.

Com a falta de manutenção e investimentos, o Autocine, lembrado por reunir casais em busca de um lugar para namorar e assistir filmes, ‘fechou’ as portas em 89, mas manteve a estrutura quase intacta na UFMS.

Jornal Midiamax