#CGR115: Mais moderno entre os cinemas da rede Pedutti, Cine Rialto era o ‘mais chique’

Assim como os cinemas Alhambra e Santa Helena, o Rialto pertencia à rede Pedutti. Também considerado um dos cinemas relevantes, em Campo Grande, o Rialto foi instalado em 1947, na Rua Antônio Maria Coelho, entre a Avenida Calógeras e Rua 14 de Julho. Dentre os cinemas da rede, o Rialto era um dos menores e com arquitetura […]
| 22/08/2014
- 21:50
#CGR115: Mais moderno entre os cinemas da rede Pedutti, Cine Rialto era o ‘mais chique’

Assim como os cinemas Alhambra e Santa Helena, o Rialto pertencia à rede Pedutti. Também considerado um dos cinemas relevantes, em Campo Grande, o Rialto foi instalado em 1947, na Rua Antônio Maria Coelho, entre a Avenida Calógeras e Rua 14 de Julho.

Dentre os cinemas da rede, o Rialto era um dos menores e com arquitetura mais simples, segundo a jornalista Marinete Pinheiro. Este cine possuía 800 lugares.

De acordo com a jornalista, que escreveu o livro Sala dos Sonhos, junto com a também jornalista Neide Fischer, o cinema atraía diversos espectadores que saíam à noite para assistir a sessão utilizando lampião a gás, pois a energia elétrica não chegava a todos os lugares.

“A fila que se formava em frente à bilheteria era grande, chegando a faltar ingressos. Isso porque o rádio era coisa de privilegiado e a televisão não existia. A única forma de diversão era o cinema, ou o circo, quando chegava à cidade”.

Kenzo Fujimoto, de 60 anos, militar reformado, era um dos espectadores do cinema, assim como o amigo, Ceslo Higa, o mesmo fã frequentador assíduo dos cines Santa Helena e Cine Estrela, lembrado nas primeiras matérias da reportagem especial do Midiamax em comemoração ao aniversário de Campo Grande (MS).

Da memória, ele traz à tona poucas lembranças. Uma delas, por exemplo, para qual público cada cinema era destinado. “O Santa Helena era mais popular, enquanto o Alhambra era mais chique e o Rialto mais ainda”, brinca.

Segundo Kenzo, eram poucas as diversões da época e uma delas, sem dúvida, era assistir a filmes. ”Toda semana passava um capítulo, como um seriado, começava hoje, chegava no momento que o ‘mocinho’ caía de cima de um precipício ou de cima de uma cabana e aparecia ‘não perca no próximo capitulo’, sempre”, recorda-se.

O militar explica que 240 minutos eram divididos em vários capítulos. “Na época custavam dois cruzeiros. Campo Grande era pequena, praticamente um quadrado que terminava na Avenida Calógeras, pra baixo era pedra, era chácara, não era do jeito que é”.

Com tudo tão perto, a ida ao cinema era feita a pé mesmo, conta Kenzo. A cidade, na época, ‘acontecia’ entre as avenidas Calógeras, Maracaju, Rui Barbosa e 7 de Setembro. “Ficávamos ali”.

“No meu tempo de guri, com 14 anos, nem queria saber de namorar, só brincar e ir a matinê. A maioria era assim. Não tem ninguém que não tenha saudade”.

De rua escura e sem asfalto, a Antônio Maria Coelho se tornou uma via movimentada e asfaltada. O Rialto funcionava em um prédio, que mantém a estrutura e arquitetura, onde hoje existe a Igreja Seicho-no-ie do Brasil.

Ainda segundo o livro Sala dos Sonhos, o cinema passou por três fases: a primeira durou até a metade da década de 1950, quando o público diminuiu gradativamente. Em 1958 foi feita uma reforma que o transformou em cinema de luxo, o que é lembrado por Kenzo. “Era cinema chique”.

A tela panorâmica utilizada para projeção foi trocada, assim como as cadeiras que passaram a ter estofado. Com toda a ‘modernidade’, as moças que frequentavam o cinema eram obrigadas a se vestirem à altura do estabelecimento. “A partir de então as mulheres eram, por exigência da casa, obrigadas a usarem roupas finas que fugissem do cotidiano e os homens só podiam entrar de terno e gravata”, ressalta a jornalista.

Por fim, a última fase foi quando, após a reforma do cine Alhambra, o Rialto perdeu todo o ‘glamour’ e tornou-se um lugar comum.

Kenzo conta que tem saudade daquela época ‘sem preocupação’. Ele conta que, embora com menos frequência, costuma ir aos cinemas atuais. “De vez em quando a gente se aventura, tenho prazer de assistir no cinema, muito melhor que assistir na TV”.

#CGR115: aniversário de Campo Grande

Em comemoração aos 115 anos de Campo Grande, o Midiamax realizou uma série de reportagens sobre pontos e características da cidade morena. Ao longo da semana serão publicadas reportagens especiais sobre os cinemas da Capital.

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