Treze anos após ter apontado o Brasil, a Rússia, a Índia e a China como os emergentes que seriam propulsores da economia mundial, o economista Jim O’Neill (ex-Goldman Sachs) se mostra surpreso com a integração política dos quatro países – hoje associados ainda à África do Sul. Apesar de mostrar decepção com o desempenho econômico de Brasil e Rússia, ele acredita que, no longo prazo, os quatro Bric ainda são o grupo que integram a primeira divisão das economias emergentes.

Em entrevista exclusiva, O’Neill afirma que velhos atores como o grupo dos sete mais industrializados (G7) não são mais representativos e devem abrir espaço para os emergentes. Ele defende ainda a redução do G20 para um grupo menor formado por Estados Unidos, Japão, União Europeia, China, Índia, Brasil e Rússia como o novo foro de decisões. “O G20 parece muito legítimo, mas é muito grande para ser efetivo”, defende.

O economista vê a criação de um banco de desenvolvimento conjunto e um mecanismo de segurança anticrise como um sinal de “inadequação da governança global”. “Quando você olha a estrutura do FMI (Fundo Monetário Internacional) e os direitos de votos e das ações, é meio louco que os países Bric ainda estejam com uma participação menor”, avalia O’Neill.

Uma reforma de cotas do FMI precisa passar pelo parlamento americano para entrar em vigor, mas o assunto está parado há anos. Sempre que possível, os emergentes demonstram sua insatisfação com a falta de reforma institucional. A criação dos organismos dentro do Brics, para o economista, representa uma criação de grupo paralelo. O sucesso do banco conjunto, na avaliação de O’Neill, depende do estabelecimento de regras e projetos claros. Do contrário será “uma perda de tempo”.

O’Neill esteve no Brasil com a família para assistir à Copa do Mundo. A organização de grandes eventos para ele tem um sentido maior para os países em termos de sentimento nacional do que na economia de longo prazo. “É algo fabuloso poder sediar uma copa bem-sucedida”, avalia.