‘Amor Exigente’ destaca sofrimento das famílias que convivem com dependentes

Quando se fala em dependentes químicos, muito se discute sobre as formas mais eficazes de tratamento para afastar o vício, contudo, a necessidade de orientação dos membros da família é  pouco difundida. Nesse sentido, familiares que já passaram por essa experiência, e os grupos especializados em devolver a direção de uma família alertam para a […]
| 19/08/2014
- 22:25
‘Amor Exigente’ destaca sofrimento das famílias que convivem com dependentes

Quando se fala em dependentes químicos, muito se discute sobre as formas mais eficazes de tratamento para afastar o vício, contudo, a necessidade de orientação dos membros da família é  pouco difundida. Nesse sentido, familiares que já passaram por essa experiência, e os grupos especializados em devolver a direção de uma família alertam para a importância dessa orientação.

De acordo com o vice-presidente do Grupo Amor Exigente, Arnaldo Rodrigues, a maioria das famílias, na qual um dos membros tem problemas com drogas, não sabe lidar com essa situação e, por isso, precisam da ajuda de pessoas mais experientes. “Nosso trabalho dá  resultado muito satisfatório. Somente nesta semana já orientamos as famílias a internarem cinco pacientes”, acentua.

Nesse sentido, a engenheira agrônoma, Marise Garcia Cesar, mãe de um ex-dependente, afirma que, após começar a frequentar as reuniões, a dinâmica da casa mudou radicalmente. Ela diz que antes vivia em função do filho e não tinha certeza se estava fazendo as coisas certas. “Antigamente eu fazia todas as tarefas de casa. Meus filhos só estudavam. Depois que passei a receber orientação, eu impus diversas regras para todos na casa”, frisa.

Marise explica que firmou horários de chegada e de saída, até mesmo para os filhos não dependentes. “Em determinado horário a porta da casa fechava e ninguém entrava mais. Parece ser rígido, porém, funcionou. Meu filho chegou a sair de casa e morar em um quartinho, mas não aguentou e pediu para voltar”. Além disso, ela conta que uma das últimas regras impostas foi falar para o filho não usar droga com seu dinheiro.

Sob o ponto de vista clínico, o psicólogo Ezequiel de Almeida Azevedo, reforça a importância da orientação dos parentes. Segundo ele, na maioria dos casos o paciente se cura, no entanto, a família continua doente. Conforme ele, a nomenclatura usada para isso é “codependência” familiar.

O psicólogo frisa que vai ser inaugurada, na próxima semana,  comunidade terapêutica Certa (Centro de Reabilitação e Tratamento para Dependentes Químicos, Alcoolistas e Familiares), que deverá atender, inicialmente, 30 famílias. Azevedo ressalta que o principal requisito para participar desse tratamento é o acompanhamento frequente dos familiares.

Tratamento do dependente

Quanto ao tratamento do dependente químico, a psicologia ressalta a importância da triagem para que não haja um diagnóstico errado. “É preciso saber se o paciente tem outras doenças que precisam ser tratadas com urgência”, adverte Ezequiel. Ele adverte que, muitas vezes, o dependente tem esquizofrenia, bipolaridade ou até mesmo uma psicose.

O psicólogo salienta que nem todos os pacientes podem ser internados. “Muita gente não responde bem a esse procedimento. Tem muita mãe que interna só porque o filho está fumando maconha. Nestes casos é melhor um acompanhamento em grupo ou individual”, conclui.

Contatos

O telefone do Grupo Amor Exigente é 3026-4404. Já a comunidade terapêutica Certa está atendendo, por enquanto, pelo site: www.tratamentocerta.com.br

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