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Agência de risco rebaixa nota da Argentina após decisão dos EUA

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nessa terça-feira (17), a nota de da dívida da Argentina, de CCC+ para CCC-. A S&P também colocou a nota em perspectiva negativa, sinalizando que podem ocorrer novos rebaixamentos. A redução da nota ocorre depois da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, na […]

Arquivo Publicado em 18/06/2014, às 13h43

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A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nessa terça-feira (17), a nota de da dívida da Argentina, de CCC+ para CCC-. A S&P também colocou a nota em perspectiva negativa, sinalizando que podem ocorrer novos rebaixamentos.


A redução da nota ocorre depois da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, na segunda-feira, se recusou a ouvir o recurso da Argentina sobre sua tentativa de evitar o pagamento de US$ 1,33 bilhão a credores de fundos de hedge (especulativos).


“O governo da Argentina tem capacidade limitada de pagar os credores que entraram com a ação e, ao mesmo tempo, o serviço da dívida”, afirmou a S&P.


A agência de classificação de risco confirmou o rating da dívida de curto prazo em moeda estrangeira em “C”, afirmando que uma interrupção de pagamentos devido a determinações adversas da justiça não devem afetar a capacidade do governo de honrar a dívida emitida em moeda local.


Pela classificação, a nota da Argentina já colocava a dívida do país entre as consideradas de alto risco de inadimplência e baixo interesse.

Decisão


A decisão tomada pela Justiça dos EUA confirma na prática a condenação adotada por um tribunal de Nova York em favor dos fundos especulativos NML Capital e Aurelius, que se negaram a se unir às reestruturações da dívida soberana argentina de 2005 e 2010.


Dos nove membros do tribunal, sete se manifestaram contra o pedido argentino, com apenas um voto contrário.


A Argentina ainda pode recorrer à Suprema Corte, mas a opinião generalizada é de que o país não obteria nenhum resultado que não fosse ganhar tempo. O país tem um prazo de 25 dias para iniciar esse trâmite.


Outra possibilidade para a Argentina seria retornar ao tribunal de Nova York, onde foi condenada inicialmente, para começar algum tipo de negociação com os fundos especulativos.

Reestruturação


A Argentina fez duas renegociações (2005 e 2010) de 93% de sua dívida com os pagamentos suspensos desde 2001, com perdas de até 67% do capital para os donos dos títulos.


No caso que gerou questionamento na Justiça, os fundos especulativos, que o governo argentino chama de “fundos abutres” porque compraram a dívida já suspensa e buscaram na justiça norte-americana a cobrança integral dos bônus.


A Argentina argumentou que uma decisão favorável aos fundos especulativos geraria um precedente capaz de afetar de forma negativa qualquer futura operação de reestruturação de dívida soberana com pagamento suspenso.


Os governos de Brasil e México chegaram a apresentar documentos à Suprema Corte, alertando que a recusa à apelação argentina representaria risco de uma moratória técnica argentina.

Jornal Midiamax