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Universitários de classe média e liberais formam ‘núcleo duro’ da organização de protestos

Midiamax foi às reuniões para verificar quem são os líderes do movimento contra corrupção e que cobra melhorias na educação, saúde e transporte coletivo

Arquivo Publicado em 26/06/2013, às 11h47

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Midiamax foi às reuniões para verificar quem são os líderes do movimento contra corrupção e que cobra melhorias na educação, saúde e transporte coletivo

Uma onda de protestos toma conta de Campo Grande desde quinta-feira (20), quando 60 mil pessoas foram às ruas da cidade para protestarem contra a corrupção. Mobilizados pelo Facebook, os manifestantes percorreram quilômetros pela cidade nos três últimos dias e prometem mais manifestações até a próxima terça-feira (25).


Desde as primeiras mobilizações, há duas semanas, cerca de 80 pessoas estiveram à frente das discussões, colocando em pauta os motivos e as necessidades dos sul-mato-grossenses. Classificado como ato público de apoio ao manifesto nacional, a mobilização no estado desejava encontrar motivos regionais para ir a luta.


Dos 80 “revolucionários” da Capital, que compõem o núcleo duro das manifestações, cerca de seis integrantes são responsáveis pela disseminação das ações do grupo. Essa liderança é formada, predominantemente, por universitários de classe média e alguns profissionais liberais.


Todas as ações do movimento foram e serão definidas pelo Facebook. No final de todos os protestos, os organizadores têm o costume de se reunirem, na maior parte das vezes nas ruas, que foram palco das caminhadas, para definirem as próximas estratégias do manifesto. A Praça do Rádio, inclusive, já é chamada de “bunker” pelos manifestantes, em referência à reuniões quase diárias no local.


Como em qualquer grande grupo, onde existem várias cabeças que desejam dar movimento e voz a determinados anseios, existem os momentos em que as lideranças se desentendem, fazendo com que pequenos conflitos sejam gerados. No entanto, com democracia, eles acabam se entendendo.


Como exemplo, nas reuniões, quando alguém começa a falar algo que não agrade os demais, a maioria, em coro uníssono, tenta repelir a ideia do que tem a palavra. Repetidamente, eles começam a gritar “democracia”, “mais respeito” e até “silêncio” para calar a voz do “incoerente”. Esse foi o artifício utilizado com os integrantes da marcha da maconha, que se reuniram os o grupo que luta contra a corrupção depois do manifesto deste sábado.


A manifestação que começou popular na quinta-feira, com palavrões e frases de baixo calão, terminou neste sábado organizada e com palavras típicas de movimentos sociais e partidos políticos. “Ata”, “pauta”, “diretrizes” e outras denominações intrínsecas a movimentos partidários estiveram presentes durante a reunião pós protesto de sábado, ironicamente realizada em frente do condômíno onde mora o governador André Puccinelli (PMDB).


O grupo de seis pessoas, os “porta vozes” dos demais, já promete oficializar em papel as reivindicações da população. Eles pretendem continuar esse novo movimento, que ainda não tem nome, desta vez fora das ruas.

Jornal Midiamax