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Sem receber da prefeitura, empresa desiste da Orla Morena 2 com 80% da obra concluída

Obra de revitalização da antiga região ocupada pelos trilhos só deve ser retomada após nova licitação. Prefeitura diz que empresa está falindo. Advogado diz que houve calote

Arquivo Publicado em 02/07/2013, às 19h27

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Obra de revitalização da antiga região ocupada pelos trilhos só deve ser retomada após nova licitação. Prefeitura diz que empresa está falindo. Advogado diz que houve calote

A empreiteira MG abandonou o último trecho de obras da Orla Morena 2, faltando apenas 20% para a conclusão. A alegação é que a Prefeitura de Campo Grande não cumpriu com o contrato. Já a administração de Alcides Bernal (PP) alega que a empresa está falindo.

“A empresa não está falindo, foi a prefeitura que não pagou três meses seguidos, não propôs o reajuste anual e só prometeu e não cumpriu”, disse o advogado da MG, Ary Raghiant. O trecho compreende da final da Rua 14 de Julho até o Centro de Belas Artes.

Segundo o advogado, foram feitas inúmeras reuniões com representantes da prefeitura e “não chegou a lugar nenhum”. “Até tentamos uma rescisão amigável em março, mas a prefeitura nunca respondeu o documento”, afirmou.

Com a mudança de gestão, Bernal pediu a revisão de todas as licitações firmadas na época do ex-prefeito Nelsinho Trad (PMDB). Porém, seis meses depois ainda não há respostas e mais de 20 empresas alegam não receber da prefeitura e até uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Calote foi aberta para apurar os casos.

“O princípio da continuidade pública não é respeitada por essa gestão que entende que só porque você foi licitada antes desta, você vem com um carimbo como se fosse ligado ao ex-gestor, enquanto não temos nada a ver”, concluiu o advogado.

O outro lado

Em entrevista ao Midiamax, o secretário municipal de Infraestrutura, Semy Ferraz, afirma que a empresa abandonou o trecho 2. O grupo, segundo ele, avisou a prefeitura que desistiu da obra por não ter mais condições.

“Tentamos conversar para que ela pudesse terminar a obra, mas ela disse que não tem mais condições, que estão indo à falência”, explicou. Semy disse que há R$ 1,2 milhão em caixa de empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para concluir a obra. O contrato total foi firmado em R$ 6,5 milhões.

O secretário informou ainda que o BID poderá colocar a empreiteira MG na lista de devedores por não terminar uma obra licitada. “O banco também não autoriza chamarmos o segundo lugar da licitação, então teremos que abrir uma nova licitação e abrir outra empresa para corrigir o que está sendo feito de errado e terminar o que falta”, concluiu.

Promessas

A Orla Morena é um conjunto de obras que compreendem 2,3 quilômetros de revitalização da região remanescente dos trilhos da ferrovia. Na primeira etapa, conforme publicações da prefeitura, o investimento foi de R$ 9 milhões e foi realizada da avenida de Júlio Castilho até a rua Plutão.

Já o segundo trecho a promessa de Nelsinho Trad (PMDB) no lançamento em dezembro de 2010 era que seria concluída em 18 meses. Porém, a população ainda aguarda os investimentos em drenagem, iluminação pública, calçamento e paisagismo.

“Moro aqui há 17 anos e até agora só vi mato desde que parou o trem. Tem muitos drogados e sujeira nessa região”, disse Maria Aparecida Rosseli, 53 anos, aposentada, apontando também para a Rotunda, um projeto a parte que a prefeitura também prometeu buscar recursos para revitalizar do que sobrou da antiga Ferrovia Noroeste (NOB).

“Até agora só promessas, porque revitalização que é bom nada”, disse Edilson Mooreira, 45 anos, que há 10 anos trabalha em um comércio próximo. Para José Greório Lopes, 41 anos, há 13 anos comerciante da região a conclusão da obra seria essencial para valorização do local.

“Com certeza iria atrair muito mais público, mas não vimos gente trabalhando aqui faz tempo”, concluiu.

Jornal Midiamax