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RS: seguranças tentaram impedir saída de boate, diz sobrevivente

A noite de diversão com amigas se transformou em uma luta por sobrevivência para a estudante de Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Eduarda Bavaresco. A jovem de 17 anos estava bem em frente ao palco acompanhando o show da banda Gurizada Fandangueira quando iniciou o incêndio que matou pelo menos 245 pessoas […]

Arquivo Publicado em 27/01/2013, às 15h49

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A noite de diversão com amigas se transformou em uma luta por sobrevivência para a estudante de Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Eduarda Bavaresco. A jovem de 17 anos estava bem em frente ao palco acompanhando o show da banda Gurizada Fandangueira quando iniciou o incêndio que matou pelo menos 245 pessoas na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS), a cerca de 250 quilômetros de Porto Alegre.


 “O cara da banda acendeu um sinalizador e pegou fogo no teto. Na hora, puxei minhas amigas e saímos. Quando estávamos na metade da boate, começou a correria. Caí, arrebentou a minha bolsa e comecei a me sentir sufocada com a fumaça”, contou.


A estudante lembra que ao chegar perto da única porta de saída, os seguranças da casa noturna impediram que as pessoas saíssem do local por acharem que se tratava de uma briga. “Era muita gente imprensada e as pessoas tiveram que empurrar os seguranças para conseguir sair. Não sei como consegui sair de lá. Pensei que ia morrer”, recordou, emocionada.


 Apesar da tragédia, Eduarda sofreu apenas arranhões e perdeu documentos e telefone celular que estavam na bolsa. Assim que saiu do lugar, ligou para os pais que moram em Segredo, a cerca de duas horas de Santa Maria, para contar o ocorrido e tranquilizá-los.


 “Ela já começou a conversa com o pai dela pedindo para ele não se preocupar que estava bem. E logo em seguida começou a chorar. Graças a Deus foi só um susto, mas ficamos muito tristes por quem não conseguiu se salvar”, lamentou a mãe de Eduarda, Márcia.


Desde às 3h, a estudante está no hospital São Francisco de Assis, em Santa Maria, onde uma amiga está internada com queimaduras. “Foi um tumulto e só fui encontrá-la sendo carregada do lado de fora. Ela está em coma e só vão poder dizer a sua situação depois de 24h. Outra amiga nossa ainda não foi encontrada”, relatou.


Aniversário


Quem também estava na festa e conseguiu se salvar foi a estudante de Direito Mayara Pereira, 21 anos. Ela conseguiu se salvar, mas duas amigas e um irmão delas estão desaparecidos. Mayara é uma das dezenas de pessoas que estão no ginásio para onde foram levados os corpos para buscar informações sobre os colegas.


A estudante de Direito também contou ter tido dificuldade para sair da boate. “Eu estava na área VIP, perto da porta, conversando com meus amigos. No começo achamos que era uma briga, mas quando eu vi o fogo consegui sair logo com meus amigos. Os seguranças fecharam a porta por alguns momentos achando que era uma briga”, disse.


“O vocalista estava de aniversário e acendeu um sinalizador, e isso pegou fogo e se espalhou muito rápido. As pessoas se desesperaram e saíram correndo, pisoteando um por cima da outra”. Segundo ela, o local estava muito lotado e a faixa etária era de 18 a 22 anos. “Era uma festa de três cursos”, disse.


Incêndio em casa noturna


Um incêndio de grandes proporções deixou ao menos 245 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade.


O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo começou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária. Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. “Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair”, contou.


O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações. A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile para viajar a Santa Maria.

Jornal Midiamax