Geral

“Reumatismo não é doença de velho”, explica médico

O Doutor Izaias Pereira da Costa é médico com doutorado em Reumatologia pela USP. Ele atende em Campo Grande, no Hospital Universitário, desde os anos 80. Chefe do setor de reumatologia no hospital, ele explicou ao Midiamax que a doença não é ‘coisa de velho’, como se imagina.   Midiamax: Há alguma orientação de suspensão […]

Arquivo Publicado em 14/02/2013, às 18h08

None
682989568.jpg

O Doutor Izaias Pereira da Costa é médico com doutorado em Reumatologia pela USP. Ele atende em Campo Grande, no Hospital Universitário, desde os anos 80. Chefe do setor de reumatologia no hospital, ele explicou ao Midiamax que a doença não é ‘coisa de velho’, como se imagina.



Midiamax: Há alguma orientação de suspensão de medicamento para o tratamento do reumatismo em caso de dengue?


Dr. Izaias: A Sociedade de Reumatologia de Mato Grosso do Sul informou os pacientes em uso de anti-inflamatórios inibidores das cicloxigenases ou medicamentos imunossupressores, como Methotrexate, Azatioprina, Micofenolato de mofetil e de imunobiológicos como Infliximab, Adalimumab e outros devem ser suspensos em casos de dengue.


Mas é aconselhável procurar o médico assim que souber que está com dengue ou avisar ao médico que fez o diagnóstico que toma algum desses remédios para que ele faça a suspensão.


O grande problema é que esses remédios inibem a inflamação, mas diminuem a agregação de plaquetas, acelerando a forma hemorrágica da doença. Isso diminui a resposta imunológica das pessoas em tratamento.



Midiamax: Quais são os tipos de reumatismo?


Dr. Izaias: São mais de 200 tipos de reumatismo, a maioria crônicos, deixando sequelas irreversíveis se o diagnóstico não for precoce. Quanto mais cedo for descoberto, maior a chance de atuação para evitar essas sequelas.


Os mais conhecidos tipos são os degenerativos, a osteoartrose e a artrite. Os inflamatórios e autoimunes, como lúpus, esclerose e sistêmica. As metabólicas, como a popular “gota”, causada por distúrbios do ácido úrico.


Existem também as associadas às outras doenças, como a hepatite B/C, leishmaniose, dengue, com dores articulares que podem mimetizar reumatismos. A diabetes pode ocasionar reumatismo degenerativo metabólico também.


Cerca de 10% dos pacientes com psoríase podem desenvolver reumatismos articulares.



Midiamax: O paciente deve procurar pelo reumatologista a partir de alguma idade definida ou não?


Dr. Izaias: Qualquer dor nas articulações, após o paciente ser avaliado pelo clínico geral, deve ser investigada por um reumatologista. Ao contrário do que se pensa, reumatismo não é doença de velho. O predomínio dos registros está entre os zero e 21 anos. Somente a artrose tem maior incidência entre os idosos.



Midiamax: Existem sintomas ou indícios de que o paciente pode apresentar algum tipo de reumatismo?


Dr. Izaias: Alguns sinais apresentados pelos pacientes podem ser diferentes apenas das dores articulares, como a perda de visão súbita, uma mulher jovem que já teve derrame, até mesmo a diarréia frequente e aftas. 


Dores articulares com mais de três semanas podem ser sinais de manifestação do doença inflamatória crônica.



Midiamax: Onde o paciente atendido pelo SUS pode procurar pelo reumatologista?


Dr. Izaias: No serviço público atualmente só o Hospital Universitário atende com reumatologistas. Anualmente são 7 mil pacientes daqui e vindos de Rondônia, Mato Grosso, Bolívia e Paraguai. Também é o único serviço de infusão, pois as medicações são caríssimas.

Jornal Midiamax