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Projeto sobre lendas urbanas de Corumbá é selecionado pelo FIC-MS

O espetáculo “… e o meu cabelo arrepiou”, da Cia de Teatro Maria Mole, de Corumbá, foi um dos projetos contemplados pelo FIC (Fundo de Investimentos Culturais), programa do Governo de Mato Grosso do Sul que visa incentivar as produções artísticas no Estado. Sessenta e sete ações culturais de dezesseis municípios sul-mato-grossenses dividirão o valor […]

Arquivo Publicado em 26/03/2013, às 14h08

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O espetáculo “… e o meu cabelo arrepiou”, da Cia de Teatro Maria Mole, de Corumbá, foi um dos projetos contemplados pelo FIC (Fundo de Investimentos Culturais), programa do Governo de Mato Grosso do Sul que visa incentivar as produções artísticas no Estado.

Sessenta e sete ações culturais de dezesseis municípios sul-mato-grossenses dividirão o valor de R$ 2 milhões. Para o projeto corumbaense, a fatia destinada, segundo o edital de divulgação, é de R$ 30 mil. Além de “… e meu cabelo arrepiou”, outros sete projetos da área teatral foram escolhidos.

A atriz Bianca Machado, responsável pelo projeto selecionado por Corumbá, explicou detalhes sobre a peça que reforça a identidade do corumbaense ao levar para o palco os registros das primeiras lendas urbanas da cidade pantaneira.

“Com certeza, é o primeiro espetáculo de suspense de Corumbá”, afirmou ao dizer que o roteiro é baseado nos contos do jornalista Mário Feitosa, que circularam no jornal “O Momento”, durante a década de 60 do século passado. “Quem me apresentou os textos do Mário foi o amigo e ator Salim Haqzan e a partir de então, fizemos alguns trabalhos com esse material, mas nada como a proposta da peça”, explicou Bianca.

Com bases em pesquisas, ela relata como surgiram as histórias que logo caíram no gosto popular. “Antigamente, as notícias demoravam muito para chegar e para que pudesse fechar o jornal, o Mário relatava essas histórias que caíram no gosto do povo, inclusive algumas permanecendo até hoje no imaginário coletivo como o Lobisomem da Peixerada”, conta a atriz ao citar a “aparição monstruosa” que, de acordo com relatos populares, assusta, ainda hoje, moradores do bairro da baixada corumbaense.

“O sucesso dos contos era tão grande que muitas pessoas compravam o jornal apenas para lê-los. Quando não havia história, as pessoas reclamavam, pediam o dinheiro de volta”, diz Bianca ao falar sobre os relatos que confirmam o gosto popular pelos textos do jornalista.

Com o pseudônimo de “X-Panzé”, Mário escrevia “histórias aterrorizantes” sempre fazendo referência às localidades da cidade. Cada relato, terminava com uma assinatura particular do escritor, a frase “… e o meu cabelo arrepiou”, que foi escolhida para dar nome à peça. A montagem tem previsão de estrear em setembro deste ano e ficar um mês em cartaz.

“A gente escolheu encenar no porão do ILA (Casa de Cultura Luiz de Albuquerque), por ser um local que se adequa a esse clima de suspense”, disse a atriz, que é a diretora da peça, que traz no elenco Salim Haqzan, Carla Soares, Dílson de Souza, Carol Dibere e Will Oniser.

Sobre a aprovação do projeto no FIC, Bianca diz que a escolha de trabalhos formatados no interior ajuda a estimular a produção fora da Capital. “Sem esse recurso, ia ficar impossível a realização do projeto. Isso mostra que quando se faz algo bem feito, ele é escolhido, independente do local de origem”, comentou a atriz que pretende, após a temporada de estreia, em Corumbá, viajar com a peça por cidades do Estado e do país.

Para a atriz Carol Dibere, a seleção no FIC é motivo de bastante alegria, mas também uma grande oportunidade para perpetuar a arte da interpretação. “É muito bacana a gente ter entrado porque é importante a formação de público em Corumbá, principalmente porque é uma cidade cultural”, frisa.

Ela lembra que Corumbá é uma cidade fértil para a propagação desse tipo de história e que o público irá se identificar com o conteúdo da peça. “Todo mundo tem uma história de terror aqui em Corumbá”, avaliou.

Jornal Midiamax