Ônibus trocados por novos não refletiram em mudança prática para a população, que sofre com atrasos e lotação.

Com quantidade de ônibus amplamente discutida nas eleições de 2012 e um ideal estipulado em 650 veículos na frota, a atual administração comemora a troca de 84 carros na frota do Consórcio Guaicurus e ignora que os atuais 580 veículos não são suficientes para atender a população campo-grandense.

Em um ano de atuação no transporte coletivo de Campo Grande, onde possui exclusividade do serviço, o Consórcio desconversa sobre a existência de um número de ônibus que seja o ideal na frota. Por outro lado, a prefeitura admite que não pode pressionar o grupo a adquirir mais unidades e se dá por contente pela reposição de 84 carros.

A substituição dos 84 carros da Viação Floresta, que era terceirizado pelo Consórcio para prestar o serviço, mostra um avanço do Transporte Coletivo da Capital já que os novos ônibus são novos, bem diferentes dos anteriores com vida útil avançada. No entanto, por ser uma reposição não registram um aumento da frota, o que foi amplamente discutido na corrida pela Prefeitura em 2012.

”Na verdade, a cidade é um organismo vivo. Não tem como definir um número exato para a frota de ônibus. Por exemplo, com o shopping novo, é atraído crescimento para toda uma região, novas linhas de ônibus para atender a população, novos pontos, então é algo que muda constantemente. O que a Prefeitura não pode é quebrar um contrato e solicitar de uma hora pra outra 100 novos veículos ao Consórcio. A medida que a Agetran determine mais itinerários, seguramente as empresas irão fornecer mais carros para que haja um bom atendimento”,defende o Diretor de Transportes da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Lúcio Maciel.

Faltam ônibus

Em outubro deste ano, o vereador Eduardo Romero (PT do B) relatou que na década de 80 Campo Grande contava com 309 pontos e 290 veículos, o equivalente a um ônibus para cada mil habitantes.
O parlamentar avaliou que atualmente a cidade conta com cerca de 800 mil habitantes e 575 veículos, sendo um ônibus para cada mil e quinhentos habitantes e que a população está crescendo e a frota não.

O presidente do Consórcio Guaicurus, João Resende, desconversa sobre o caos no transporte coletivo e declarou nessa semana que em Campo Grande não existe falta de ônibus e que os que tem atendem muito bem a demanda de usuários. Segundo Resende, só terá aumento de frota quando tiver aumento de usuários.

“Por enquanto não vai ter mais ônibus. Não tem falta, os carros que a gente tem atendem a demanda de usuários. São R$ 6 milhões de viagens por mês, feitas por 580 ônibus. Então não falta”, garantiu Resende.

Entretanto este não é o pensamento de quem depende do transporte coletivo para se locomover pela cidade. Em horários de pico, faltam lugares e os ônibus seguem lotados, como apontou o vereador Waldecy Chocolate em uma única viagem ouvindo a população neste ano.