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Pesquisa da Rede Pró Centro-Oeste gera duas patentes

Um método para produzir anticorpos que combatem o veneno da jararaca e a identificação de uma molécula natural, presente numa garrafada tradicional, que atenua os efeitos desse mesmo veneno deram origem aos dois primeiros depósitos de patente de pesquisadores da Rede Inovatoxin, do Edital Rede Pró Centro-Oeste, que estuda peçonhas de animais do Centro-Oeste brasileiro. […]

Arquivo Publicado em 24/06/2013, às 17h33

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Um método para produzir anticorpos que combatem o veneno da jararaca e a identificação de uma molécula natural, presente numa garrafada tradicional, que atenua os efeitos desse mesmo veneno deram origem aos dois primeiros depósitos de patente de pesquisadores da Rede Inovatoxin, do Edital Rede Pró Centro-Oeste, que estuda peçonhas de animais do Centro-Oeste brasileiro.

A rede foi formada com o objetivo de reunir grupos de pesquisa que possuíam diferentes expertises no estudo de peçonhas animais, particularmente voltadas à bioprospecção de novos peptídeos ativos, explicou a Inovação Unicamp a coordenadora da rede, pesquisadora Elisabeth Ferroni Schwartz, da Universidade de Brasília (UnB). Já existiam colaborações entre os pesquisadores dos diferentes subprojetos e, o que fizemos nesta proposta, foi reuni-las em um único grande projeto.

Além da UnB, atuam na coordenação dos subprojetos da rede cientistas das universidades federais de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ao todo, a rede abraça seis subprojetos, a maioria deles envolvendo a busca por peptídeos cadeias de aminoácidos, os componentes das proteínas com propriedades de interesse para uso humano, como o combate a fungos e bactérias.

As duas patentes já depositadas se referem ao desenvolvimento de novas formas de tratamento das picadas por serpentes do grupo das jararacas, diz Schwartz. Uma delas trata de um vetor de modificação genética que permite a produção dos anticorpos com características humanas contra o veneno, dando origem a um soro antiofídico que, espera-se, terá menos efeitos colaterais que o atual, obtido de cavalos.

Esse vetor está sendo utilizado pelos pesquisadores da rede para a produção do anticorpo, cuja eficácia na reversão dos efeitos do envenenamento deverão ser testados na próxima etapa do projeto, disse a coordenadora da rede. A outra envolve a identificação do princípio ativo de uma garrafada, ou remédio tradicional, que inibe os efeitos da picada de serpentes.

Espera-se compreender melhor como se dá essa inibição e, possivelmente, utilizar esse componente no tratamento dos acidentes por serpentes em conjunto com o antiveneno, explicou Schwartz.

Há ainda três outras descobertas do grupo em vias de pedido de patente, envolvendo peptídeos com propriedades antiepiléticas e analgésicas. Até agora, foram identificados 40 peptídeos no projeto, sendo 14 antimicrobianos, seis analgésicos e quatro antiepiléticos, entre outras moléculas com diferentes funções.

De acordo com a coordenadora, ainda não há nenhuma parceria firmada com o setor industrial pra transformar as descobertas da rede em produtos finais.

Jornal Midiamax