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Ministro da Aviação Civil critica Gol por atrasos em voos

O ministro Moreira Franco (Aviação Civil) criticou neste domingo (8) a empresa aérea Gol pelos atrasos em voos que se espalharam pelos aeroportos brasileiros desde a última sexta-feira (6). Moreira Franco disse que, apesar dos problemas meteorológicos, a empresa agiu de forma “muito lenta” para normalizar suas operações. “Nós vamos ter que conviver com problemas […]

Arquivo Publicado em 08/12/2013, às 21h31

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O ministro Moreira Franco (Aviação Civil) criticou neste domingo (8) a empresa aérea Gol pelos atrasos em voos que se espalharam pelos aeroportos brasileiros desde a última sexta-feira (6). Moreira Franco disse que, apesar dos problemas meteorológicos, a empresa agiu de forma “muito lenta” para normalizar suas operações.


“Nós vamos ter que conviver com problemas climáticos, isso não dá para mudar. Agora, dá para mudar passar três dias para responder o impacto de um problema climático grave na malha da empresa”, afirmou. “Foi muito demorado, não dá para ter reação lenta”, completou.


O ministro disse que as tempestades que atingiram o país na quinta-feira provocaram uma reação em cascata nos voos, mas que “São Pedro” não pode ser responsabilizado pelos problemas que têm impacto nas viagens de milhares de brasileiros. “Eu tenho uma grande capacidade de negociação, de entendimento, mas não consigo negociar com São Pedro. O que eu acho, e já recomendei à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), é que o tempo -de quinta-feira até hoje -é um tempo muito longo.”


O ministro disse que, além das punições que serão aplicadas pela Anac às empresas aéreas que tiveram os voos atrasados, ele vai pedir que a agência exija da Gol mudanças em sua gestão e tecnologia para a solução de problemas.


“Eu recomendei à Anac que ela se reunisse, sobretudo com a Gol, para ver que tipo de mudança de gestão e de incorporação de tecnologia pode ser estimulada para que ela tenha uma resposta mais rápida”, disse.


Moreira Franco afirmou que a aviação aérea é hoje um “transporte coletivo” no Brasil, com viagens de 200 milhões de pessoas em 2013, por isso toda a infraestrutura aeroportuária precisa responder à alta demanda –a começar pelas próprias empresas.


“O governo está fazendo um esforço grande, vamos mudar a qualidade da operação dos aeroportos brasileiros em função do impacto das mudanças que ocorrerão nos cinco maiores aeroportos do país. Mas é necessário que a mudança seja acompanhada pelos prestadores de serviço.”


Apesar do caos nos aeroportos, o ministro disse que, até a Copa de 2014, os principais problemas registrados no transporte aéreo vão estar solucionados. “Eu não acho que o problema vai ser Copa. O problema é o dia a dia.”


A Folha questionou a Gol sobre as declarações do ministro, mas ainda não recebeu resposta da empresa.


Em nota, a Anac disse no início da noite deste domingo que vai autuar a Gol por “falhas na prestação de assistência aos passageiros”. A multa pode chegar a R$ 300 mil, segundo a agência, já que o valor para cada infração varia de R$ 4 mil a R$ 10 mil. O valor total das multas, segundo a Anac, será conhecido “ápós conclusão da análise de todos os autos”. Mais cedo, a Gol tinha informado que responderia ao órgão.


Representantes da agência vão se reunir amanhã (9) com o comando das empresas aéreas para discutir a operação de fim de ano nos aeroportos e o caos nos voos dos últimos dias.


CAOS


Os problemas nos aeroportos começaram na quinta-feira (5), com impactos nos voos até este domingo. O sábado foi de caos, quando mais de 400 voos domésticos sofreram atrasos durante o dia de ontem, e mais de 130 foram cancelados –segundo informações da Infraero.


A maior parte dos problemas foi registrada pela Gol. Às 22h de ontem, a Infraero contabilizava atrasos em 319 dos 717 voos nacionais da empresa. Em nota, a companhia atribuiu os problemas “às fortes chuvas que acometeram a região sudeste do país entre os dias 5 e 6”. A companhia aérea chegou a ter 45% dos voos atrasados e cinco cancelados, de um total de 126.


Os atrasos teriam provocado um efeito dominó, com a diminuição do número de funcionários disponíveis, porque algumas tripulações tiveram a jornada de trabalho afetada, e a companhia teve que respeitar os limites legais da carga horária da categoria. A Polícia Militar chegou a intervir para evitar um princípio de confusão em Congonhas provocado por passageiros irritados com os atrasos.


O órgão regulador também notificou a TAM, que terá 10 dias para comprovar que prestou assistência aos passageiros do aeroporto de Guarulhos. De acordo com nota da Anac, “se comprovadas irregularidades, a empresa também será autuada.”


Jornal Midiamax