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Manicure que confessou ter matado menino em Barra do Piraí sempre foi afastada da família

Com esmalte, a manicure Suzana do Carmo de Oliveira Figueiredo, de 22 anos, reproduzia pequenos desenhos nas unhas das suas clientes. Num traço preciso, criava joaninhas, papagaios, sapinhos e flores. As mesmas meticulosidade e precisão usadas para tirar João Felipe Bichara, de 6 anos, do colégio e matá-lo asfixiado num quarto no hotel São Luís, […]

Arquivo Publicado em 31/03/2013, às 19h04

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Com esmalte, a manicure Suzana do Carmo de Oliveira Figueiredo, de 22 anos, reproduzia pequenos desenhos nas unhas das suas clientes. Num traço preciso, criava joaninhas, papagaios, sapinhos e flores.


As mesmas meticulosidade e precisão usadas para tirar João Felipe Bichara, de 6 anos, do colégio e matá-lo asfixiado num quarto no hotel São Luís, em Barra do Piraí — como ela confessou à polícia. Traços que ela começou a desenvolver com apenas 12 anos. Por conta própria, Suzana batia de porta em porta na casa das vizinhas no bairro Boa Sorte, oferecendo seus serviços de manicure. — Ela era uma ótima manicure.


Também vendia calcinhas — conta uma ex-vizinha, a doméstica Mara Camargo, de 42 anos. Ainda menina, Suzana percebeu que o ofício poderia ser um passaporte para sair do humilde bairro onde cresceu. Afastado da área central, o bairro Boa Sorte é composto por imóveis humildes e vias de chão batido. A casa onde morava fica numa rua esburacada e estreita, onde passa um carro de cada vez.


Ela é a filha mais velha da doméstica Simone de Oliveira, mas não conhece o pai. Mesmo registrada pelo padrasto, que a criou desde os 5 anos, nunca se aproximou da família. Nem mesmo da mãe. Em silêncio, cultivava um desejo de buscar uma independência precoce. — Ela nunca teve diálogo com a mãe.


Elas se falaram pela última vez há três meses. E apenas por telefone — diz uma amiga da família. Suzana tem um irmão mais novo, de 17 anos, que foi aprovado neste ano no Programa Universidade Para Todos (Prouni). Mas a relação entre os dois era superficial. Distante da família, ela colecionava namorados. Aos 18 anos, saiu de casa sem olhar para trás. E, com um crime bárbaro, marcou para sempre o destino de uma família simples.


 Má fama na vizinhança


 Quando deixou a casa da família, chegou a morar com um namorado, um camelô que trabalhava no entorno da Praça Nilo Peçanha, no coração da cidade. — Ela passava sempre bem arrumada por aqui. Era patricinha e não falava com ninguém — recorda-se a autônoma Cláudia Pereira. Suzana tentou trabalhar numa padaria perto dali.


 Não passou dos 15 dias de experiência. Há dois anos e meio, mudou-se para uma vila no Centro. Assim que chegou, deu destaque à casa, pintando sua fachada de laranja. E, em pouco tempo, ficou falada entre as vizinhas por causa do entra e sai de homens./

Jornal Midiamax